Disputa sindical: denunciante usa remédio antidepressivo

Diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira e Região rebateram ontem as acusações feitas pela esposa de Iveraldo Luiz de Moraes, Márcia Fernandes, e mostraram caixas de medicamentos de remédios antidepressivos, supostamente de uso dela, e encontrados na residência do casal.
Casada com Iveraldo em 11 de agosto, Márcia gravou conversas indicando suposta compra de votos no processo eletivo da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e outras irregularidades. O marido fala, no áudio, sobre uma quantia de R$ 400, acusados por Márcia, de serem destinados à compra de votos.
De acordo com o diretor Wilson Zanetti, o valor refere-se ao adiantamento da ajuda de custo que 18 dos 24 diretores recebem do sindicato. A entidade paga R$ 328 mensais como reembolso dos descontos ou perda de benefícios nas empresas em que os diretores trabalham. “Eles são perseguidos e, por atuarem, são prejudicados”, explica o diretor e vereador José Carlos Pinto de Oliveira (PT).
O marido, Iveraldo, disse que encontrou a casa “revirada” no início da noite de ontem e coletou as caixas de remédio. Ele apresentou uma carta, que teria sido escrita por Márcia, em que ela revela possuir desequilíbrio emocional. “Isso joga por terra todas as acusações mentirosas que ela fez”, disse Oliveira. O marido disse não saber o que teria motivado Márcia a entregar documentos à chapa 2, que disputa a direção do sindicato nas eleições da próxima semana.
Além da caixa de remédios, o sindicato apresentou um panfleto encontrado na residência do casal com os dizeres com erro de português no verbo mexer. “Mecheram com as pessoas erradas. Tá na hora do acerto, chapa 2”. “Mostra que ela já tinha ligação com a chapa de oposição”, disse o diretor.

LISTA

Os dirigentes mostraram a lista de associados, entregue ontem à chapa de oposição” e reagiram. “Se houver a comprovação de que há integrantes do MST sindicalizados para votar, nós renunciamos à disputa”, disse Oliveira. Zanetti explicou que o uso de carro do sindicato para uso particular, outra denúncia de Márcia, é definido em ata de reunião e de que os custos são descontados do pagamento.
O diretor disse que os R$ 2 mil denunciados como pagamento de ajuda de custo em um mês a Iveraldo trata-se de uma projeção até o final do ano. “Ele me pediu para que pudesse se programar. Apenas isso”. José Carlos Pereira, assessor jurídico, disse que interpelará Márcia para que comprove as acusações. Ela não foi localizada para comentar as declarações.
A chapa 2 já anunciou que irá levar as gravações à Justiça. Amanhã, uma reunião está marcada pelo delegado Aparecido Capello com representantes das duas chapas, a fim de se pedir tranqüilidade para as eleições dos dias 11, 12 e 13. (RS)


Jornalista: Gazeta de Limeira