Empresas não se intimidam e, agora, o Tatu fica preto

Como se não bastassem os lançamentos de efluentes que, nos últimos meses, quase diariamente, têm deixado o Ribeirão Tatu acinzentado e com aspecto leitoso, ontem, outro despejo deixou parte do leito do rio preto. O contraste da poluição na água pôde ser visto pela manhã.
A equipe de fiscalização da Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente percorreu grande extensão do ribeirão e percebeu que o lançamento da substância, que era semelhante a material queimado, ocorreu próximo à divisa de Cordeirópolis com Limeira. No entanto, a origem não foi identificada.
De acordo com o diretor de Recursos Hídricos, Dirceu Brasil Vieira, pode ser que o produto que deixou o Ribeirão Tatu preto ontem, seja resultado da pulverização de chaminé. “Esse pulverizador evita que particulados sejam lançados no ar. Isso cai e tem que ir embora por algum lugar”, diz. Ele acredita que não seja substância química, mas o material polui.
Ele contou ainda que há algum tempo foi constatado um lançamento semelhante. “O Ribeirão Tatu ficou horrível e não conseguimos ter certeza da origem do despejo”. Para ele, ainda existe a possibilidade de um caminhão tanque lançar os poluentes e, neste caso, chegar a procedência, fica complicado.

ASPECTO LEITOSO

Mas, anteontem, um dia antes do Ribeirão Tatu ficar preto “como café”, segundo um morador, “ficou novamente leitoso. Às vezes não consigo acreditar que vão conseguir pelo menos combater esses lançamentos criminosos”, disse R.C.S., um ex-professor que afirmou estar decepcionado com a cidade. Só que, diferente de outras ocasiões, anteontem, o despejo de produtos foi feito durante a tarde.
O homem foi uma das pessoas que viu o rio novamente poluído por um resíduo acinzentado. Essa cena tem se repetido quase que diariamente. Acredita-se que esse tipo de poluição seja proveniente da fabricação de papel higiênico.
O Ministério Público (MP) já havia entrado com Ação Civil Pública Ambiental contra empresa no ano passado. A Justiça concedeu liminar, mas a empresa recorreu no Tribunal de Justiça (TJ), porém, não conseguiu revogar a decisão. Contudo, a liminar proíbe qualquer tipo de lançamento, mas de acordo com o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, essa empresa de papel higiênico já descumpriu a ordem por duas vezes. Há registro no dia 21 e 28 de junho, quando o promotor abriu inquérito policial. Nesse dia foi constatada na tubulação de descarga da empresa, que efluentes com alta concentração de carga orgânica, haviam sido lançados recentemente. O inquérito já foi instaurado.

LACRAÇÃO

O promotor de Meio Ambiente também foi comunicado sobre o pedido de alguns munícipes, que pediram ações mais efetivas para combater esses crimes ambientais constatados nos últimos dias, com freqüência, no Ribeirão Tatu. “Agora, qualquer indício efetivo de lançamento, vou pedir a lacração da empresa”, adiantou. Caso haja flagrante do lançamento, Bevilacqua disse que pode pedir, inclusive, a prisão dos responsáveis.
No fim do processo, a empresa pode pagar multa equivalente a R$ 760 mil, além da multa da Cetesb de mil Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps), o equivalente a quase R$ 15 mil. O promotor ainda colocou o MP à disposição da população para qualquer informação que auxilie nas investigações. (RR)


Jornalista: Gazeta de Limeira