Descalços

O sistema de segurança com detector de metais existente na porta giratória da agência central da Caixa Econômica Federal (CEF), fez com que dois usuários do banco, localizado na Praça Toledo Barros, tivessem que deixar seus pares de calçados do lado de fora da vidraça. O equipamento bloqueou o acesso dos dois homens para a parte interna por causa de detalhes em metal nos calçados e eles tiveram que seguir adiante descalços, usando apenas meias.

O fato ocorreu após às 16h50 com pouco intervalo de tempo, a ponto de deixar indignadas as várias pessoas que faziam uso dos caixas eletrônicos do vão de entrada. Incomodadas com o que elas chamaram de “constrangimento absurdo” dos dois homens, as pessoas telefonaram para a Gazeta. A reportagem constatou do lado de fora da porta giratória os dois pares de calçados - um branco e outro preto.
A Gazeta tomou conhecimento de um terceiro caso semelhante ocorrido às 11h30 de ontem, onde o usuário teve que ficar descalço para chegar ao interior da agência. As pessoas submetidas à situação não foram identificadas, nem registraram boletim de ocorrência. O gerente da agência apressou-se em cruzar a porta e apanhar os pares de calçados tão logo observou que eles estavam sendo fotografados.
Ele reagiu com certa indignação à presença da reportagem e recusou-se a prestar declarações - uma delas, o por que de os calçados não poderem chegar à área interna do banco anteriormente, quando ainda nos pés dos donos. Em poucos minutos, a Assessoria de Imprensa da CEF, em Piracicaba, manteve contato para questionar a matéria, explicando que o gerente não estava autorizado a falar sobre o caso.
Ao contrário do alegado pelas testemunhas contatadas no local, a Assessoria disse que os usuários retiraram os calçados por iniciativa própria, sem o conhecimento da gerência. “Ninguém foi solicitar à Gerência permissão para entrar com os calçados após soar o sistema”, disse. Ela explicou ainda que ontem foi um dia de intenso movimento bancário, pós-feriado e pós-pagamento de salários.
Esses fatores e o fato de a CEF receber clientes de outros bancos fez com que o movimento ficasse acima do normal, resultando em “extrema exposição de riscos” e por isso, gerando cuidados necessários de segurança. “As agências bancárias possuem dispositivos de segurança visando, unicamente, garantir a preservação do patrimônio e a integridade física de funcionários e clientes”, explicou em nota.
A CEF explica que o travamento automático da porta giratória ocorre se o sistema detectar quantidade de metal equivalente a uma arma de pequeno porte. Se isso acontecer, é solicitado à pessoa que retire os objetos metálicos em seu poder, depositando-os na respectiva caixa coletora. Se a pessoa portar uma bolsa, sacola, valise ou envelope, deverá ser exibido o conteúdo ao vigilante que controla a porta giratória.


Jornalista: Assis Cavalcante