Apeoesp é contra as 10 metas de Serra

"Está distante da realidade". É assim que o secretário-geral do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Fábio de Moraes, tenta sintetizar as dez metas lançadas anteontem pelo governador José Serra (PSDB) e pela secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

Segundo ele, entidades como a Apeoesp e outras que convivem com a realidade da educação não foram procuradas para opinar sobre o assunto. "Nem mesmo eles ouviram os pais e os alunos", protesta. Moraes acredita que ações - como melhores salários, carreira do magistério, formação dos professores e jornada de trabalho - são essenciais e não foram discutidas. "Seria fundamental mexer nisso. O plano apresentado, lamentavelmente, não vai mexer na qualidade do ensino", opina.

De acordo com o secretário, o sindicato tem mais um motivo para protestar na próxima sexta-feira, em São Paulo. "Vamos parar as escolas públicas neste dia", antecipa.

O foco das ações anunciadas é melhorar a qualidade do ensino público paulista. A primeira meta é alfabetizar todas as crianças do Estado com 8 anos. Para a Apeoesp, a alfabetização teria que ser com 7. "Hoje, alunos da oitava série do ensino médio são mal alfabetizados", relata.

Para o professor Nilson Robson Guedes Silva, as metas não são ruins, porém, na sua opinião, há outras prioridades no ensino. "Menos alunos por sala e professor trabalhando em apenas uma escola são exemplos", cita. Ele diz ainda que não concorda que essas diretrizes sejam as melhores. "Só colocando em prática para ver o resultado".

Secretário de Finanças da Apeoesp, Reginaldo de Almeida é da mesma opinião. "Não acho que essas diretrizes vão surtir efeito. Tem que mudar pelo menos a jornada de trabalho dos professores. Muitos trabalham até 60 horas por semana", diz.

Governo premiará escola por desempenho e gestão

O governo de São Paulo vai premiar professores e outros funcionários de escolas estaduais que aliarem melhora no desempenho em avaliações e na gestão. Serão R$ 700 milhões dados às equipes das escolas - do diretor à merendeira - em forma de bonificação salarial a partir de 2008.

Entre os itens considerados para o prêmio estão o número de faltas dos professores, a estabilidade da equipe e contas de luz, água, telefone, além das notas do alunos em exames externos. Quanto mais a escola avançar em relação à meta determinada para ela, mais receberá.

Para se determinar a meta de cada escola, porém, será preciso criar uma espécie de nota a partir dos indicativos atuais. No critério de desempenho dos alunos, serão usados os resultados no Saresp 2005, o sistema de avaliação feito pelo governo para os alunos da rede, e as taxas de reprovação.


JL - Paula Martins