Do dia 1º de janeiro deste ano até as 15h de ontem, a população do Estado de São Paulo pagou mais de R$ 190 bilhões de impostos. Em todo o Brasil, no mesmo período, já foram pagos mais de R$ 485 bilhões. O peso da carga tributária faz com que os trabalhadores brasileiros fiquem atentos aos produtos que consomem, tanto diretamente da prateleira ou por meio de serviços - como, por exemplo, a energia elétrica.
"O valor exato de quanto é o imposto sobre cada mercadoria não sei, mas é alto. Por exemplo: se a conta de luz fica em R$ 100, quase a metade é de imposto. A carga tributária vem para massacrar o trabalhador", diz o engenheiro agrônomo Alcides Pagiaro.
"O problema é que o governo gasta e nós pagamos a conta", cita o presidente da Associação Comercial e Industrial de Limeira (Acil), Renato Hachich Maluf. "Os impostos incidem em efeito cascata e tudo acaba saindo do bolso do consumidor, que paga a conta", informa Maluf.
A professora Marlene Souza Rodaele gastou R$ 70 em higiene pessoal e alimentação. Acredita, porém, que pagou caro pela compra. "Metade do valor da compra foi para pagar os impostos. Além disso, vou pagar mais impostos sobre a gasolina, a energia elétrica, o gás de cozinha e também Imposto de Renda. Trabalhamos só para pagar tributos", fala a professora.
Da mesma opinião é o engenheiro civil Marcelo Kiyanitza, que sugere uma alternativa. "Todos os brasileiros sabem que não é justo pagar tanto imposto. Então, que o governo determine o fim ou a redução de alguns tributos. A economia vai agradecer", sugere o engenheiro.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu na Câmara dos Deputados, na semana passada, que a carga tributária do País é elevada. Declarou, porém, que o governo vai trabalhar para reduzi-la. De acordo com Mantega, a carga tributária total no País ficou em torno de 34,5% do PIB em 2006 - uma elevação em relação ao total de impostos pagos em 2005, que foi de 33,7% do PIB.
O governo, citou o ministro, cumprirá a meta de superávit primário de 3,8% do PIB - o superávit primário é a diferença entre receitas e despesas, excluindo gastos com juros. Esta solidez permitiria que o País alcance até 2009 um resultado nominal (receitas menos despesas, incluindo gastos com juros) zero.
JL - Júnia Mariano