Aterro piora e vida útil fica ameaçada.

Estudo feito pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) revela que a qualidade do Aterro Sanitário em Limeira piorou. Uma das conseqüências é um provável comprometimento na ampliação da vida útil do aterro. Outro fato relacionado com a poluição na cidade é o Índice de Partículas Inaláveis - mostrado ontem pelo Jornal de Limeira e que é preocupante.

No relatório de qualidade ambiental - que avaliou o local em 2006 -, Limeira recebeu nota 8,5. A pior avaliação desde 2002, quando o aterro recebeu 7,9. Em 2005, a nota foi 9,2.

Conforme a Cetesb, a queda de 0,7 ponto porcentual foi causada por problemas operacionais no aterro - como recobrimento inadequado, disponibilidade de materiais de cobertura insuficiente e o não-atendimento a regras estipuladas em projetos para o aterro.

No relatório detalhado, as características que envolvem, por exemplo, capacidade do solo e a proximidade de rios tiveram queda na avaliação. Elas caíram de 37, em 2005, para 33, no ano passado. O valor máximo que poderia ser atingido era 40. Na infra-estrutura - em que são avaliadas cercas, portarias e drenagens -, o aterro foi avaliado com nota 33 contra 37 de 2005, em que o valor máximo era de 45. O último critério, onde são analisadas as condições operacionais - acomodação do lixo, urubus e catadores -, também teve queda - de 44, em 2005, para 39, em 2006. Neste caso, a nota máxima também era 45. "Isso, sem dúvida, irá influenciar em nossa avaliação do novo pedido sobre a ampliação da vida útil do aterro, que foi feita pela prefeitura com o objetivo de expandir o uso além de setembro", diz Adilson Rossini, gerente da Agência da Cetesb, em Limeira.

Rossini disse, porém, que há pontos positivos no aterro de Limeira - como boa localização, acesso pavimentado e iluminação. "Para se ter uma avaliação melhor no próximo laudo e não comprometer o uso será preciso resolver os problemas diagnosticados e fazer uma manutenção progressiva e preventiva", disse.
A Empresa de Desenvolvimento de Limeira (Emdel), autarquia que está em liquidação pela Prefeitura de Limeira, informa que realizou diversas melhorias no local.

Sobre a nota, a Emdel explicou, por meio de sua assessoria, que o fato não influencia na sobrevida do aterro. O argumento é de que a ampliação da sobrevida depende da análise da Cetesb, com base nas exigências que ela obriga a prefeitura a cumprir.

CIDADES

Na região, a cidade de Iracemápolis foi a que teve a pior nota, classificada com 8,1, mantendo o mesmo índice de 2005. Apesar da nota ter ficado abaixo na média da região, o município melhorou muito a qualidade do aterro em 2005, já que em 2004, o local foi avaliado com nota 6,8. Já Cordeirópolis teve a nota mais alta e atingiu 9,6 nos dois últimos anos.

De acordo com a Cetesb, nessas avaliações, os aterros com notas de zero a seis são considerados inadequados. Notas de 6,1 a 8 são controlados e de 8,1 a 10, adequados.

Situação do aterro


Em março deste ano, a Cetesb determinou o fim da vida útil do aterro em Limeira, mas a prefeitura entrou com um pedido de ampliação do prazo, comprometendo-se a fazer um alteamento dentro da área permitida. Desta forma, o uso do aterro foi ampliado até setembro deste ano. O Jornal de Limeira apurou que a prefeitura já teria pedido à Cetesb a ampliação desse período e o órgão pediu que a administração apresentasse um estudo para avaliar a possibilidade.

A prefeitura, por meio de sua assessoria, informou que o estudo está sendo feito e a documentação será entregue dentro do prazo. (HV)

Henry Villela - Limeira