O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Limeira recebeu pelo menos duas queixas oficiais de pais de alunos sobre a qualidade da merenda escolar antes da divulgação do laudo da Coordenação Técnica de Alimentação e Nutrição (Cotan), órgão vinculado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) do Ministério da Educação (MEC), de que o cardápio oferecido pela SP Alimentação ameaça a saúde dos estudantes. A SP nega as acusações.
O assunto foi debatido durante uma reunião extraordinária do grupo no dia 28 de fevereiro, realizada com o objetivo de responder aos questionamentos do Cotan sobre a qualidade da merenda escolar de Limeira e da aplicação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
Contudo, as reclamações foram omitidas em parte da ata elaborada pelo CAE, à qual o Jornal de Limeira teve acesso. A informação das reclamações foi confirmada pelo conselheiro Douglas Rodrigues.
Ontem, o Jornal ouviu opiniões de alguns pais sobre a polêmica. A dona de casa Zenilda Cabrini tem um filho, de 7 anos, na Creche "Clélia Prada" e outro, de 9, na escola Maria Flora de Castro Rodrigues.
"Eu acho que a comida está ruim", opiniou a dona de casa. "O meu filho maior teve diarréia e vômito, e ficou uma semana sem ir à escola", completou. Zenilda acredita que o cachorro-quente servido na escola tenha afetado a saúde do filho. "Eles vão para a escola sem almoçar e eu fico preocupada. Às vezes, eles voltam com dor de barriga. Essas coisas", comentou.
A dona de casa Rosicléia de Matos também anda preocupada com a saúde dos três filhos. "Eu estou preocupada. Porque vai que eles [as crianças] adoecem. Quem é que tem que cuidar? É a gente", citou. Rosicléia tem dois filhos em um creche na Avenida Fabrício Vampré e um na escola "Cônego Manuel Alves".
Já a mãe Luciana Domingues Zabom relatou que sua filha de colo não teve problemas com alimentação. "Antes do início das aulas, conversamos com a nutricionista, que nos explicou o que seria servido para eles. Até agora, está tudo bem", alegou.
Nenhum dos membros do CAE é nutricionista. A presidente do conselho, Valéria Maria Pires da Silva, admite que os trabalhos de fiscalização seriam mais eficazes com a presença desse profissional. Sem querer ser identificado, um outro conselheiro, ligado à prefeitura, concordou com o fato. O conselho se reúne hoje, às 15h.