O secretário de Educação de Limeira, Antônio Montesano Neto, disse que "continua defendendo as apostilas didáticas" usadas por alunos do ensino fundamental. A manifestação ocorreu após o Ministério Público (MP) ter divulgado uma lista contendo cerca de 70 erros - informação, grafia, gramatical e de redação - em quatro apostilas do terceiro bimestre de 2007.
Ontem à tarde, ele chamou a imprensa para conversar em seu gabinete. Atendeu separadamente cada jornalista. Ao Jornal de Limeira, começou sua fala apontando dois erros encontrados nas páginas deste jornal, um de concordância de gênero em título de uma reportagem e outro de edição, relativo a uma data que foi publicada indevidamente.
Após apontar os erros, pediu que essa parte de sua fala ficasse "em off" (não fosse tornada pública). "Citei esses exemplos para mostrar que o Jornal de Limeira também erra e nem por isso acho que lá não trabalham jornalistas gabaritados. Nem por isso deixaria de assinar o Jornal.
O que eu quero dizer é que erros acontecem e com a apostila não foi diferente. Preferia, porém, que isso ficasse em off, porque minha intenção não é criticar o Jornal", disse Montesano.
Sobre os 70 erros encontrados pelo MP, o secretário os classificou de "normais". "Gente, está se dando um peso desproporcional à questão dos erros em relação à qualidade das apostilas. "Há erros? Há sim, mas e o resto do material, das informações? Os cadernos são bons. Sei que o ideal era não ter erros, mas aconteceu", declarou ele.
ERRATAS
Montesano tinha em mãos um montante de papéis que ele deixou à disposição dos jornalistas. Alguns deles eram relativos a "erratas das apostilas". De acordo com o secretário, esses documentos são enviados para as escolas e para os professores quando são detectados erros em páginas do material.
Depois, Montesano mostrou as fichas de observação - uma espécie de análise que os educadores fazem a respeito do conteúdo das apostilas. O Jornal encontrou frases com críticas e elogios. Exemplos: "deixaram a desejar as atividades gramaticais", "conteúdo satisfatório", "a atividade veio antes do texto explicativo", "conteúdo bem elaborado".
O secretário disse que os ajustes nas apostilas são feitos com base nessas manifestações dos professores. "A gente mapeia o erro e trabalha no caderno seguinte. Todo o processo é muito democrático para que o material se mantenha sempre em desenvolvimento", afirmou. Ele também forneceu cópias de vários erros encontrados em livros do Ministério da Educação. "O MEC também erra", declarou.
EDITAL
Sobre a denúncia de que o modelo de edital encontrado em São Paulo na sede da Múltipla Editora, fornecedora do material, é praticamente idêntico ao edital aberto pela Prefeitura de Limeira para dar início ao processo de licitação vencido pela própria empresa, Montesano disse que só se reportaria sobre os assuntos relativos à sua pasta. "Não estou autorizado a falar sobre isso, porque não fui eu quem fez o edital. Não tenho informações sobre isso, não compete a mim. O que eu sei é que o edital foi feito pela prefeitura", falou.
Diretores e coordenadores analisaram material didático
Diretores e coordenadores da rede municipal de Ensino se reuniram ontem no Centro Municipal de Estudos Pedagógicos (Cemep) de Limeira para analisar o material didático que será usado pelos alunos do ensino fundamental no primeiro semestre de 2008.
Segundo a coordenadora do Cemep, Denise Massaguer, o esboço do material, conhecido tecnicamente como boneco, é o mesmo que foi entregue para a análise da promotora da Infância e da Juventude.
Este material, conforme o Cemep, ainda está sendo analisado pelos educadores da rede municipal antes da impressão. "O material foi redigido pela editora a partir dos temas propostos pelos professores e coordenadores após pesquisas e estudos", explica Denise.