MST volta a ocupar área e promete ficar

Famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a ocupar ontem área do Horto Florestal, às margens da Rodovia Anhangüera, em Limeira. A região, denominada pelo movimento como acampamento "Elizabete Teixeira", é a mesma onde ocorreu a reintegração de posse no dia 29 de novembro. Na ocasião, a medida judicial - solicitada pela Prefeitura de Limeira - exigiu força policial.

Com o lema "Resistir, produzir e ocupar", cerca de duas mil pessoas, segundo cálculos do movimento, chegaram à área no início da manhã. Vereadores de Limeira e da região, além de estudantes, apoiavam a nova ocupação.

Os sem-terra - que estavam instalados em um galpão da Igreja Santa Vitória - chegaram em ônibus. Houve um princípio de tumulto. Dois guardas municipais sofreram ferimentos leves e uma viatura do Pelotão Rural foi depredada. Os membros do movimento estavam portando pedaços de bambu nas mãos. Policiais militares e guardas municipais permaneceram no local durante a ocupação. As famílias entraram na área por volta das 10h20. A PM liberou o acesso de um caminhão do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira.

O coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro, reforçou que a área pertence à União e que ninguém iria retirar os ocupantes do local. "Vamos permanecer. Aqui vai ser um assentamento", declarou. Gilmar Mauro afirmou ainda que se o município quiser, vai ter que brigar na Justiça Federal pela terra.

A polêmica em torno da área foi levada para o local. Diretor de Transportes, Roger Rocha estava com um documento em mãos - expedido no último dia 6 pelo Ministério dos Transportes - informando que a área pertence ao município. O MST e o Incra dizem que o imóvel pertence ao governo federal.

O secretário de Segurança, Siddhartha Carneiro Leão, chegou ao local, mas foi impedido de entrar. Integrantes do movimento alegaram que não queriam conversa com o Poder Público. Segundo Siddhartha, houve uma tentativa de diálogo e que a GM iria apenas monitorar o local.