A reintegração de posse não intimidou os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Eles prometem retornar à área do Horto Florestal, de onde foram retirados anteontem. "Daqui uns dias voltaremos", disse Gilmar Mauro, coordenador do MST.
A frase dele foi recebida com entusiasmo pelos sem-terra. Sob aplausos, eles apoiaram a decisão da coordenação do movimento. Gilmar Mauro disse que a reforma agrária vai acontecer de qualquer forma. "Queira o prefeito (Silvio Félix/PDT) ou não.
Aquela área é destinada a isso. Será um assentamento, o que ocorrerá logo", promete. Existe uma disputa quanto à área. O município alega ter a posse do local. Já a coordenação do MST fala que o uso é ilegal.
Os militantes revelam que irão recorrer à Justiça - vão cobrar pelos danos materiais. "Vamos entrar na Justiça contra o prefeito e este governo. Exigir que paguem desde a destruição de um pé de alface até um colchão velho. O que fizeram com a gente foi uma ação ilegal", afirma.
Outra promessa do grupo é a de realizar uma grande marcha na cidade. Neste caso, virá apoio do movimento do País todo. "Vamos sair às ruas".
ABRIGO
A maioria das famílias sem-terra está num abrigo da Diocese de Limeira. Ou seja, no Centro Diocesano de Pastoral, no bairro do Pinhal. De acordo com as lideranças, são 250 famílias, mas nem todas estão no local.
"Algumas estão no acampamento cuidando dos pertences", revela Cláudia Praxedes, que atua na coordenação do MST. Ontem, móveis e roupas ainda permaneciam na área reintegrada. De lá, eles serão levados para o abrigo provisório.
Ela disse não temer um esvaziamento do movimento com o retorno de algumas famílias para suas casas. Após a reintegração, que culminou em pessoas feridas, uma parcela desistiu da luta. "Algumas famílias foram embora, mas não perderam o vínculo. Estão ligando para a coordenação, em Campinas, para obter informações. As famílias retornarão", comenta.
Até que haja uma definição, crianças e adultos sem-terra devem permanecer na área da diocese.
O sonho da conquista da terra
A reintegração de posse que acabou em confronto não desanima as famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Elas não desistirão da luta pela reforma agrária. "Não tenho medo. Vou continuar na luta", avisa o agricultor José Aparecido Batista, de 61 anos. Antes de se juntar ao acampamento "Elizabete Teixeira", o mineiro morava em Cosmópolis.
Ele conta que prefere brigar pelo assentamento. "A vida na cidade é muito difícil. O aluguel é caro. Quero conquistar a minha terra e tirar dela o sustento", planeja. Batista, no entanto, condenou a ação dos policiais.
Conforme mostrou ontem o Jornal de Limeira, a operação contou com 277 policiais militares e 55 guardas municipais. "Eles (policiais) não precisavam agir com violência. Somos trabalhadores rurais, e não bandidos".
Diferentemente do agricultor, a ajudante-geral Ilva Maria da Costa, 40, sentiu medo. "Nunca vi tanta violência contra o ser humano. Naquela hora, eu corri", conta. No acampamento, ela estava com a filha, um neto recém-nascido e o genro.
A mulher, que mora em Limeira, disse que não vai desistir. "Vou ficar até o fim. Tenho esperança de conquistar o meu pedaço de terra", revela Ilva.