Tentar uma desocupação pacífica do Horto Florestal é o objetivo de uma comissão formada por diferentes setores de Limeira. O grupo foi criado após o retorno do MST. A comissão terá 15 representantes. "Vamos tentar uma negociação e a saída pacífica das famílias. Queremos conversar com os manifestantes", disse o prefeito Silvio Félix (PDT). Ontem, ele convocou uma reunião para discutir a questão dos sem-terra. Participaram do encontro 77 pessoas de entidades sindicais, religiosas e associações de bairros.
A primeira reunião da comissão acontece hoje, às 10h30. "Esperamos em dois dias conseguir uma negociação, embora tenhamos conhecimento de que poderá haver uma "guerra" de liminares na Justiça", comenta o prefeito. Ele voltou a descartar a possibilidade de se fazer um assentamento no terreno do horto.
Félix também reafirmou que a posse do Horto Florestal é do município, que ocupa o espaço desde 1983. Disse que em função disso, o MST não pode ingressar na Justiça para pedir a reintegração de posse contra a prefeitura. "Não existe a possibilidade de reintegração contra a prefeitura", cita. O município já ingressou com pedido judicial solicitando a revalidação da liminar que determina a saída dos sem-terra.
ZONEAMENTO
Além de dialogar, a comissão, segundo Félix, ainda tentará fazer um cadastro das famílias que integram o movimento. Os integrantes esperam acertar com as famílias uma data para que elas deixem a área. "Também podemos discutir alguma alternativa dentro da área de competência do município", diz.
Apenas os vereadores do PT, Nelson Caldeiras e José Carlos Pinto, foram contrários à formação da comissão. "Se é para convencer as famílias a sair de lá, estamos fora", disse José Carlos. Os petistas querem que a Advocacia-Geral da União (AGU), o governo federal e o Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra) também tenham representantes na comissão.