O comerciante Gerson Bertoni, de 36 anos, evita ir às agências bancárias. Tanto é que a maioria dos serviços faz pela Internet ou em caixas eletrônicos. O motivo é simples. Ele não quer ficar tanto tempo na fila de espera. Nesta semana, ele foi obrigado a esperar. Foram 37 minutos num banco de Limeira. Por lei, o atendimento deveria ser prestado em 20 minutos, mas, na maioria das vezes, o cliente aguarda bem mais.
Outra questão apontada pelo comerciante é a diferenciação no atendimento. "Se a pessoa é cliente, ela tem mais caixas à sua disposição. Agora, se não for, é apenas um caixa. Neste caso, a demora é bem maior", comenta. Bertoni ainda diz que as tarifas cobradas pelos bancos não condizem com o atendimento. "Eles cobram muito para prestar um atendimento mínimo".
A queixa é geral. Quem também não está satisfeito com os serviços bancários é o empresário I.J.P., de 42 anos, que prefere não revelar o seu nome. Na opinião dele, o tempo de espera é a principal falha. "Existe a lei, mas os bancos não cumprem. Nós não temos para quem reclamar", fala. Sempre que vai até uma agência bancária, o empresário fica nervoso. "É por isso que só vou ao banco quando realmente preciso".
O limeirense poderia ser melhor atendido se as leis que disciplinam o funcionamento das agências fossem cumpridas. Desde 1970, a Câmara de Limeira já aprovou 14 leis - algumas tratam do mesmo assunto (veja quadro). Só que a maioria das legislações não saiu do papel. "Estão engavetadas", observa a presidente do Sindicato dos Bancários de Limeira, Dalva Radeschi. Além das leis existentes, tramitam na Câmara outros dois projetos.
FUNCIONÁRIOS
"Os bancos precisam contratar mais funcionários. Pelo menos aumentar o número em 30%", revela a sindicalista. Limeira tem cerca de 470 bancários.
Deixar a lei apenas no papel não é a solução para um problema que tira a paciência dos usuários do serviço bancário. De acordo com a lei, o tempo de espera em dias normais é de 20 minutos. Antes e após feriados, o prazo sobe para 40 minutos. As agências sequer dão senhas para que o cliente consiga acompanhar o tempo de espera.
Dalva conta que o sindicato já protocolou na prefeitura - em 2006 e este ano - uma carta onde expõe as falhas no atendimento. "As leis são municipais e a competência na fiscalização é da prefeitura", cobra ela.
LEIS BANCÁRIAS
* Horário de funcionamento (3 projetos desta natureza);
* Fila para grávidas, deficientes e idosos (2);
* Instalação de detector de metais;
* Instalação de sanitários e bebedouros (2);
* Disponibilização de assentos;
* Lei da fila;
* Disponibilização de guarda-volumes;
* Dispositivos de segurança nos caixas;
* Seguranças nos caixas eletrônicos;
* Caixas em áudio e braile.
Barreira diz que falta a regulamentação
Em nota enviada ao Jornal de Limeira, o secretário da Fazenda de Limeira, Valmir Barreira, cita que as leis bancárias precisam ser regulamentadas. "Esta secretaria não pode agir no momento por lhe faltar atribuição específica", falou.
De acordo com o Sindicato dos Bancários, a maioria das leis não é cumprida. A presidente da entidade, Dalva Radeschi, fala inclusive que muitas vezes é o sindicato que tem de mandar cópia da legislação aos bancos. Agora, quanto à "lei da fila", Barreira comenta que já protocolou proposta para alterar os dispositivos necessários à sua aplicação.
JL - Renata Caram