Hospital da Mulher: Sem receber, trabalhador protesta

Serventes, pedreiros, carpinteiros, ajudantes e trabalhadores em geral da construção civil - que estão construindo o Hospital da Mulher, na Vila Cláudia, em Limeira - paralisaram os trabalhos ontem. O motivo é o não-pagamento dos salários referentes aos meses de setembro e outubro.

Há sete meses trabalhando no local, os 41 trabalhadores querem o salário em dia. "Enquanto isso não acontecer, eles não vão trabalhar", diz o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cerâmica, Construção do Mobiliário em Limeira e Região (Siticecom), Celso Antonio Linares.

A responsável pelo pagamento dos salários dos trabalhadores é a empresa de construção civil "MonteJideon", de Guarulhos. A proposta inicial foi pagar metade do salário em dia e a outra metade parcelada, mas nem isso não aconteceu. "Pagamento parcelado não interessa. Queremos nosso dinheiro inteiro", fala um servente, que não quis se identificar.

Os salários giram em torno de R$ 677 (serventes) e R$ 770 (pedreiros). "Os trabalhadores são de outros estados - como Piauí, Ceará e Maranhão. Eles precisam do dinheiro até mesmo para mandar às suas famílias", comenta Linares. Instalados em um alojamento em frente à obra, os operários reclamam também das condições do local. "Só tem um banheiro para 41 homens", conta o diretor.

Trabalhando de segunda a segunda, os trabalhadores relatam que a obra está com o cronograma atrasado. "Era para ser entregue em dezembro, mas acredito que não tem como ficar pronta até lá", diz um pedreiro, que não quis se identificar.

Nota enviada pela Prefeitura de Limeira, por meio da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos, informa que a empresa contratada pelo município para executar os serviços do Centro de Referência de Saúde da Mulher contratou uma outra empresa (prática conhecida como subempreitar a obra). O objetivo seria acelerar a entrega do trabalho.

Segundo a prefeitura, os pagamentos feitos pelo município e o repasse da empresa que ganhou a licitação para a obra estão em dia. O governo, porém, admitiu que a subempresa foi alvo de queixa dos funcionários devido ao atraso dos salários e das condições do alojamento. A subempresa foi notificada pela contratada e regularizará os pagamentos aos funcionários, além de executar melhorias nos alojamentos.

Paula Martins