Em dez anos de vigência do novo Código Brasileiro de Trânsito - de 1997 a 2006 -, Limeira contabilizou 34.800 acidentes de trânsito, que resultaram em despesas de R$ 263,1 milhões. O balanço foi divulgado ontem pela Secretaria Municipal dos Transportes, a pedido do Jornal de Limeira.
Durante esta década, ainda conforme as estatísticas, os acidentes com vítimas somaram 10.443 casos e representaram despesas sociais na ordem de R$ 182,7 milhões - os registros sem vítimas foram 24.365 e resultaram em gastos de R$ 80,4 milhões.
Em 1997, quando o município tinha uma frota de 78.504 veículos, foram registrados 3.169 acidentes. Dez anos depois, em 2006, com uma frota praticamente duplicada (145.652 veículos), o número de acidentes curiosamente não mudou muito e atingiu a marca de 3.926.
A Secretaria dos Transportes avalia que os números ficaram praticamente equiparados devido à evolução na legislação de trânsito e à realização de campanhas de educação. "Considerando que a frota de 1997 a 2006 quase que dobrou e o número de acidentes anual praticamente se manteve, entendo que obtivemos um resultado considerável", diz o secretário da pasta, José Augusto Ferreira Camargo.
O balanço, porém, aponta um dado negativo. O número de feridos no trânsito de Limeira apresentou um salto considerável em cinco anos - foram 1.109 registros em 2002 e 1.930 em 2006. As mortes ocorridas nos locais dos acidentes somaram 73 casos nestes cinco anos.
Segundo Camargo, este salto no número de vítimas é explicado pelo aumento da frota de motocicletas. "Estatísticas do primeiro semestre deste ano confirmaram uma participação de 65% de motocicletas envolvidas em acidentes com vítimas", cita. A prefeitura informou, por meio da Assessoria de Comunicações, que os números de mortos e feridos, entre 1997 e 2001, não estavam disponíveis.
CRITÉRIOS
Sobre os critérios para se chegar aos valores gerados com os acidentes, a prefeitura informa que as estimativas fazem parte de um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o órgão federal, um acidente sem vítima tem um custo social de R$ 3,3 mil e um com vítima, R$ 17,5 mil.
Conforme a Secretaria dos Transportes, o Ipea leva em conta para se fazer o cálculo das despesas sociais os valores gastos com atendimento médico, internação, transporte, profissionais ligados ao trânsito - como policiais militares, assistentes sociais e socorristas - e os valores deixados de ser produzidos pelas vítimas envolvidas nos acidentes que morreram e tiveram deficiência temporária ou permanente.
Custos no País somam R$ 28 bi
No Brasil, os custos anuais com acidentes de trânsito, estimados pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), ficam em R$ 28 bilhões. Conforme o Jornal já mostrou, de acordo com dados da ANTP, com base na média entre os anos de 2003 e 2006, o trânsito brasileiro deixa por ano 34 mil mortos, 100 mil pessoas com deficiências e 400 mil feridos.
JL - Henry Vilella