Com mais de 44 quilômetros quadrados de área, o Ribeirão dos Pires está em situação de alerta! A nascente, localizada no bairro Egisto Ragazzo, canalizada em grande parte de sua extensão, pede socorro.
No local, além de não haver nenhum tipo de mata ciliar, algumas empresas construídas há décadas, invadiram a Área de Proteção Permanente (APP) e outras possuem estacionamento sobre o curso do ribeirão, contribuindo para a constante poluição do mesmo.
À Gazeta, o diretor de recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente, Dirceu Brasil Vieira, disse que o Ribeirão dos Pires possui apenas cinco quilômetros quadrados de mata ciliar. A preservação da Bacia do Pinhal, que é fonte alternativa de abastecimento da cidade pode garantir de água para o futuro da população local. “O Ribeirão dos Pires desemboca no Pinhal e deságua no Jaguari. Mas infelizmente durante seu percurso, há uma infinidade de problemas que diretamente contribuem para a constante poluição de suas águas”, alertou.
Vieira enfocou que após cruzar sob a Via Anhanguera, o Ribeirão dos Pires segue até a área rural, que leva o seu nome. “Lá acontece o que se chama de poluição difusa. A maioria dos agricultores não pratica o plantio em curva de nível. Portanto, descem para o leito, excesso de matéria orgânica que prejudica muito a qualidade da água. Essas curvas se fossem feitas na lavoura, serviriam para o solo reter elementos nutritivos, permitindo a infiltração da água para o lençol freático. Além disso, os sulcos reduziriam a quantidade de matéria orgânica que descem em forma de enxurrada para o leito do rio, provocando erosão e assoreamento”, explicou.
O diretor de Recursos Hídricos ressaltou que assoreamento é a obstrução, por sedimentos, areia ou detritos quaisquer, de um estuário, rio, ou canal. Pode ser causador de redução da correnteza. “No Brasil é uma das causas de morte de rios, devido à redução de profundidade. Os processos erosivos, causados pelas águas, ventos e processos químicos, antrópicos e físicos, desagregam solos e rochas formando sedimentos que serão transportados. O depósito destes sedimentos constitui o fenômeno do assoreamento”. Para Vieira, demais fatores provocam o processo como os desmatamentos, que expõe as áreas à erosão,a construção de favelas em encostas que, além de desmatar, tem a erosão acelerada devido à declividade do terreno. “As técnicas agrícolas inadequadas, quando se promovem desmatamentos extensivos para dar lugar a áreas plantadas, a ocupação do solo, impedindo grandes áreas de terrenos de cumprirem com seu papel de absorvedor de águas e aumentando, com isso, a potencialidade do transporte de materiais, devido ao escoamento superficial e das grandes emissões gasosas”, afirmou.
Fossa negra polui o ribeirão
De acordo com a lei municipal 222/99 artigo 6º parágrafo único, fica estabelecido que os esgotos sanitários deverão ser tratados e dispostos no solo segundo ABNT NBR 7229 para construção e instalação de fossa séptica e disposição de efluentes finais. Porém, como a maior parte das chácaras de recreio ainda está em fase de regularização, muitas residências no bairro dos Pires ainda coletam seu esgoto em fossas negras, isto é, em valas construídas de forma primitiva, muitas vezes contaminando todo o lençol freático do local. Os principais cursos d’ água que percorrem o município de Limeira são Ribeirão Pinhal, Ribeirão Tatu, Ribeirão Geada ou dos Coqueiros, Ribeirão Lagoa Nova, entre outros.
Entre estes, o Ribeirão do Pinhal merece grande destaque, sendo constituído pelos Ribeirões Pires, Tabajara e Pinhal. Trata-se de uma bacia de fundamental importância para o município de Limeira, pois a captação de água que abastece a cidade localiza-se na confluência do ribeirão do Pinhal com o Rio Jaguari, tendo a capacidade de captar água de ambos os corpos d’água. A bacia foi decretada Zona de Proteção de Manancial (ZPM) pelo Decreto de Lei Complementar n. 222/99 ZPM da Prefeitura Municipal de Limeira, com o objetivo de proteger esse manancial e preservar a qualidade das águas para o futuro.
Vieira frisou que o prefeito Sílvio Felix tem projeto para construir um Parque Ecológico na tentativa de proteger a nascente dos Pires. “Para manter a nascente deste ribeirão é necessário ainda respeitar a área de APP, com mata ciliar em toda a extensão do ribeirão e evitar a construção de mais empresas no local”.
Economia de energia e água
Campanha da Medical visa conscientizar funcionários
Mudar hábitos de consumo é um grande desafio, mas que pode ser vencido se houver a sensibilização e a colaboração de todos. Este é o principal objetivo do programa Medical Consciente, que prevê ações direcionadas à economia no uso dos recursos naturais e promoção à utilização racional e responsável da água, energia, papel, impressões, telefone e o não desperdício de alimentos. Segundo Cíntia Cason, da Comissão de Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde do hospital, para sensibilizar colaboradores, familiares e pacientes, uma das etapas do Programa prevê a realização de um concurso de frases sobre os temas da semana com a participação de todos os envolvidos e que renderá prêmios aos vencedores. O concurso se encerra em 31 de outubro.
“Nossa idéia é conscientizar sobre a importância do uso responsável dos recursos naturais e promover a economia tanto financeira, quanto para futuras gerações e, ainda, incentivar a todos para que participem. A conscientização nesta questão é importante, não só na Medical, mas nos lares de cada um”, explicou Cintia.
Abordagem consciente
A campanha terá várias etapas, sempre com o foco principal na diminuição do consumo. Para isso, serão realizadas ações voltadas à integração não só dos funcionários, mas também de seus familiares, pacientes internados e acompanhantes. A cada dez dias, haverá uma abordagem dos temas sobre o assunto a ser tratado e serão criadas dinâmicas para envolver o público e fazê-lo refletir sobre as informações. Está prevista a distribuição de cartazes nas dependências da Medical e folhetos explicativos sobre os temas com dicas de uso consciente a todos os colaboradores e seus familiares.
“O colaborador entrega uma frase sobre o tema em questão e recebe um vale brinde. Ao juntar cinco vales, ele troca por um brinde. Ao final da campanha serão escolhidas as melhores frases sobre cada tema e o vencedor será premiado. No mês de outubro, quando se encerra a campanha, o colaborador poderá entregar na Medical, a sua conta de água e energia com vencimento em outubro referente ao consumo de setembro. Será verificado o maior índice de economia entre os participantes e a Medical pagará a conta do colaborador vendedor. Com isso os familiares do colaborador participarão da campanha”, informou Cintia.
RESUMO DA SEMANA
Para Lula, países ricos devem assumir responsabilidade por mudança climática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na terça-feira (18) que os países ricos devem assumir a responsabilidade pelos atos que prejudicam o meio ambiente e aceleram o processo de mudança climática.
“Precisamos fazer com que os países que mais poluem o planeta assumam a responsabilidade de suas ações”, disse o presidente no 2º Encontro Nacional dos Povos das Florestas.
“Precisamos mudar padrão de investimento, padrão de consumo, padrão de desenvolvimento. E não aceitaremos que, em cima dos pobres, se pague o preço de uma coisa que não cometemos”, acrescentou o presidente.
Lula lembrou que participará da Assembléia Geral da ONU - Organização das Nações Unidas), que tem como tema central o desenvolvimento sustentável com preservação do meio ambiente.
Povos indígenas
O presidente reafirmou que não aceitará que os países ricos apresentem propostas ao Brasil sobre preservação da Floresta Amazônica. “Eu me recuso a aceitar lições que qualquer governante dá sobre como preservar suas florestas”, disse para uma platéia cheia de povos indígenas.
Lula disse ainda que será iniciada pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em parceria com os Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social, uma pesquisa para contar a população indígena que vive no Brasil. O estudo terá patrocínio, segundo o presidente, da Petrobras.
“O trabalho permitirá ao poder público identificar os povos e considerá-los mais para a elaboração das políticas públicas”, afirmou. (Globo On-line)
Jornalista: Gazeta de Limeira/Daniela Calderaro