A estudante Glaucy Alves Correia, de 24 anos, tem paralisia cerebral e para se locomover de casa à escola precisa utilizar o serviço Transporta, realizado pela Viação Limeirense e capacitado para transportar usuários de cadeira de rodas. No entanto, a mãe da estudante, Maria Alves Correia, diz que neste semestre a filha assistiu à aula apenas uma vez, dia 29 de agosto. "O motorista não vem em casa para buscá-la. Todo dia às 18h ela fica pronta à espera do ônibus e ele não chega. Glaucy fica triste e chega a chorar. Ela quer ir para a escola", aponta.
Devido às faltas da filha, Maria foi chamada na EMEIEF "José Justino Castilho" para explicar o que acontecia. "Glaucy falta porque não tem transporte. No primeiro semestre, o agendamento para ela ir à escola foi de três vezes por semana. Neste semestre, seria todos os dias, o que não aconteceu", reclama a mãe.
Depois de buscar contato com a empresa e recorrer à imprensa, Maria contou que terça-feira Glaucy foi à aula. "O motorista do ônibus veio aqui e disse que o horário dela ir para a aula está certo, será todos os dias. Agora vou esperar para ver se isso realmente vai acontecer", fala. "Não quero briga, quero comprometimento da empresa com minha filha", completa.
O universitário Ademilson Gonçalves também é usuário do Transporta. Ele não tem problemas com o agendamento do ônibus para a faculdade, mas sabe de pessoas como Glaucy que ficam prejudicadas. "O agendamento é deficiente e os carros estão lotados. O maior erro é de ser centralizado este serviço numa só empresa, o ideal seria que as duas empresas que atuam em Limeira fossem envolvidas neste transporte e apoiadas pela prefeitura", sugere.
CHEIOS
Para o sistema dar certo, segundo Gonçalves, será necessário ter mais ônibus, mapear onde moram os deficientes e fazer um novo cadastro. "Nestes últimos tempos, o ônibus está lotado porque houve uma mudança de comportamento dos deficientes, que deixaram de ficar em casa e passaram a sair, estudar, contar com o transporte, que é seguro e cômodo. Mas é preciso que o serviço seja mais eficiente", pede Gonçalves.
Responsável pelo agendamento do Transporta, David Valério Andrigo informa que são disponíveis para o transporte destes passageiros três microônibus. Ele confirma que os horários estão cheios. No início de setembro, um ônibus quebrou e ficou sem rodar por quatro dias, o que prejudicou o agendamento. "Agora o problema já está resolvido", afirma. Sobre a reclamação de Glaucy, Andrigo cita que o motorista foi avisado do problema e ficou de regularizar a rota.
JL - Júnia Mariano