Ao perguntar sobre a juventude do aposentado Pedro Camussi, de 64 anos, é impossível não relembrar os bons tempos do transporte férreo no Brasil. Ele tem boas recordações de quando viajava de trem pelo Estado de São Paulo. Ia a Campinas e Araraquara com muita facilidade. "Era barato, gostoso, rápido e menos perigoso", descreve.
Se no passado os trilhos ajudaram a escrever histórias e tornar as viagens inesquecíveis, agora, o que se vê é um sistema falido. "Tenho dó quando vejo o estado das linhas férreas", comenta o aposentado. E ele tem razão. A maioria das cidades brasileiras tem suas estações ferroviárias largadas. Algumas criaram espaços culturais. Outras, no entanto, tentam trilhar o mesmo caminho. Muitas ignoram o problema. Resultado: o abandono é geral.
Camussi sente saudades do tempo em que viajava de trem. "Era fácil", fala. Ele lamenta a falta de utilização dos trilhos para viagens. Hoje existe o transporte de produtos e algumas cidades usam os trilhos para desenvolver atividades culturais. É uma volta ao passado.
Na Europa, por exemplo, os trens são referência em transporte eficiente. Aqui, não. "No Brasil, os negócios não avançam porque nossos governantes não se empenham", diz o aposentado.
TRECHOS
O investimento realmente é pesado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve injetar R$ 1,7 bilhão em 14 trechos selecionados pelo governo federal. O recurso será aplicado na recuperação de estações, acessos e linhas. A região de Limeira deverá ser contemplada com pelo menos um trecho. É o que ligará Campinas a Araraquara. Dos trechos que serão reativados, dois estão no Estado de São Paulo. Além do que passará por Campinas, o outro fará a linha São Paulo/Itapetininga.
A extensão entre Campinas e Araraquara é de 192 quilômetros. O trem passará pela região. Fazem parte do trecho, por exemplo, as cidades de Limeira, Cordeirópolis, Santa Gertrudes, Rio Claro, Americana e Sumaré. Segundo o Departamento de Relações Institucionais do Ministério dos Transportes, primeiro será feito um estudo de viabilidade econômica. A licitação deverá sair até o final do próximo ano.
JL - Renata Caram