Câmara sedia audiência sobre saúde mental

A Câmara de Limeira sediou anteontem audiência para discutir assuntos referentes aos portadores de transtornos mentais. A iniciativa foi da Comissão de Assuntos Relevantes, presidida pelo vereador César Cortez (PV). Segundo a Assessoria de Imprensa da Câmara, ele defendeu a tomada de decisões de curto prazo que possam ser levadas ao Poder Executivo.

Dentre os assuntos discutidos estiveram o projeto para melhorias no Ambulatório de Saúde Mental e a solicitação de que atendimentos passem a ser diários. Esta é uma reivindicação das famílias, conforme contou Antônia Aparecida Rodrigues, que tem um irmão, de 34 anos, com transtornos. Participaram da audiência cerca de 200 pessoas. Uma delas foi Michele Stradiotto. A jovem teve os pais assassinados a facadas pelo irmão em 2003 após um surto.

Michele contou que quando o irmão começou a apresentar os sintomas de transtorno, a família ficou desestruturada e não tinha noção do perigo. "Não tínhamos a quem recorrer e ele ficava cada vez mais agressivo sempre que era contrariado", contou. Na opinião dela, faltou apoio para o paciente e para a família. Após a tragédia, o irmão de Michele foi levado para presídios e apenas conseguiu vaga em um hospital especializado em transtornos em junho de 2005. "No ano seguinte, o hospital nos pressionou para o retorno do meu irmão, mas o juiz considerou muito cedo para a reintregração", disse ela.

Outro exemplo de que Limeira precisa de estrutura para o tratamento de portadores de transtornos foi dado pela aposentada Modesta da Cruz Prates. Aos 51 anos, ela se aposentou por invalidez devido aos sintomas. "Os transtornos começaram a aparecer há 15 anos e não tive nenhum tipo de orientação. Eu carregava uma bonequinha e sequer lembrava os nomes dos meus filhos e do meu marido", relatou.


JL - Redação JL