Adolescentes usam garrafa pet para disfarçar consumo

O caso envolvendo uma garota de 15 anos embriagada,que acompanhava um grupo de 10 rapazes para um matagal atrás da “Receita Federal do Brasil”, registrado anteontem na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), reacendeu a polêmica sobre a venda de bebidas alcoólicas para menores. Apesar de o episódio ter ganhado repercusão, o Conselho Tutelar afirmou que o problema é extremamente freqüente. Agora, os adolescentes estão usando garrafa pet para disfaçar o consumo de álcool.

Hoje, quando começa a 23ª Festa do Peão, o assunto ganha ainda mais importância na opinião da coordenadora do Conselho Tutelar, Maria Aparecida Dias Campos. Em períodos de grandes eventos, as solitações dos conselheiros aumentam no período noturno.
O órgão não tem dados precisos sobre os números de atendimentos envolvendo adolescentes embriagados, mas a coordenadora assegurou que a média de idade é 14 anos, incluindo meninas e meninos.
Maria Aparecida citou que o problema envolvendo proprietários de bares que efetuam a venda proibida para menores de 18 anos contribui para a expansão do problema. “Sabemos que muitos não exigem a apresentação de documento de identidade”. Por outro lado, ela reconhece que é grande a dificuldade dos donos de bares, quando precisam enfrentar uma verdadeira estratégia usada pelos adolescentes. “Eles pedem que os jovens maiores de 18 anos comprem as bebidas para que eles consumam”.

“DISFARCE”

Nos “points”, nas festas, nos shows e nos eventos noturnos muitos simplesmente tentam disfaçar o consumo de bebida alcoólica. Durante as operações e durante os atendimentos, os conselheiros flagraram que, com receio de serem advertidos ou de os pais serem acionados, os adolescentes utilizam garrafas de refrigerente e acrescentam bebidas alcoólicas, normalmente aqueles que têm paladar mais adocicado. Muitas vezes, além das autoridades, os adolescentes acabam enganando os próprios pais.
No entanto, o que é classificado como “disfarce”, resulta muitas vezes no consumo ainda mais elevado e, não é raro quando os conselheiros são chamados até mesmo aos hospitais, para registrar casos de adolescentes em coma alcoólico. “Não temos números, mas esses casos estão se tornando cada vez mais freqüentes principalmente nos fins de semana”. Quando o conselheiro registra o caso, os pais são advertidos.
O aumento da fiscalização seria uma alternativa para reduzir o problema, mas Maria Aparecida defende que a preocupação com o consumo de bebida alcoólica precisa começar dentro de casa. “A criança aprende através de exemplos. Infelizmente há casos até de filhos que acompanham seus pais em bares durante a infância”. (ESS)

Dono do bar recusa pagamento de cesta básica


O caso registrado ontem na DDM, após intervenção da Polícia Militar (PM) solicitada por um morador, envolveu o comerciante J.F.R., 67 anos, que já havia sido acusado em abril de vender bebida alcoólica para menores de 18 anos.
Na semana passada, o caso foi avaliado no Juizado Especial Civil e Criminal de Limeira (Jecrim) e, segundo o diretor de serviços do órgão, José Roberto Furlan, o acusado não aceitou a transação penal e se recusou a cumprir pena com doação de cesta básica. “Ele alegou que vendeu a bebida para um maior de 18 anos”. O caso prossegue na Justiça.
Além de registrar o episódio ontem, a delegada Andréa Arnosti Pavan, que havia enquadrado o comerciante no Artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente, informou que iria enviar um ofício à Prefeitura informando sobre o problema.
O chefe do setor de fiscalização da Prefeitura, Sebastião Cruz, informou que o departamento tomará as devidas medidas administrativas quando for oficializado pela DDM. “Nós iremos avaliar a situação e, dependendo do que for constatado na documentação, o dono do bar poderá ser advertido, notificado ou até mesmo multado. Isso vai depender da constatação”. (ESS)


Jornalista: Gazeta de Limeira