As discussões sobre a censura entraram em pauta entre os publicitários após a tentativa do governo de estabelecer uma classificação indicativa para programas de televisão e impor novas normas às propagandas de cerveja nos últimos meses. No caso da propaganda, os publicitários alegam que as regras no setor estão restringindo cada vez mais a criatividade.
A campanha "Toda Censura é Burra", da Associação Brasileira de Propaganda (ABP), expõe este descontentamento dos publicitários. Usando exemplos simples - como o "perigo" de usar um lápis, que pode se transformar em uma arma, devido à ponta fina -, a campanha mostra que o excesso de cuidado, às vezes, pode parecer ridículo. De acordo com a ABP, a intenção é expandir o tema sobre restrições políticas na propaganda e atingir um público maior. Publicitários acreditam que os projetos em tramitação no Congresso devem ser acompanhados pela sociedade.
Para o sócio-diretor da Plenna,sim, Carlos Gullo, este processo que a publicidade está passando limita o trabalho das agências para os clientes, restringindo a criatividade na comunicação. "É importante que os clientes e toda sociedade fiquem atentos com as atitudes políticas nesta área para que também não sejam atingidos com propagandas superficiais", alerta.
As limitações nas agências vêm sendo intensificadas desde 2005, quando os departamentos jurídicos das grandes organizações começaram a intervir mais na aprovação de uma campanha do que a própria área de marketing.
Embora as queixas dos publicitários sejam insistentes, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) tem recebido a mesma média (300 peças por ano) de reclamações dos últimos anos. Os publicitários explicam que não é a regulamentação o problema, e sim a falta de uniformidade em sua aplicação.
Segundo Gullo, os anunciantes também se sentem incomodados. "Além de afetar a criatividade, aumentam os gastos com as campanhas, que devem ser refeitas", explica. "Este assunto é complexo, mas deve ser monitorado constantemente por todos que podem ser afetados - publicitários, anunciantes e sociedade - para que a situação não se agrave", diz.
Redação JL