Quase 2 mil mulheres dependem do SUS para tomar anticoncepcional

Os anticoncepcionais têm uma grande variação de preço. Alguns chegam a custar mais de R$ 40, e as mulheres, em idade reprodutiva, precisam se prevenir todo mês. Por isso, muitas delas dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para evitar a gravidez indesejada.

Levantamento da Central de Medicamentos da Prefeitura, aponta que quase 2 mil mulheres buscam os remédios nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Um número considerado relativamente alto pelo coordenador do Programa de Saúde da Mulher da Secretaria da Saúde, Paulo Marcelo Silva Mofatto. Porém, se for estimada a quantidade de mulheres em idade reprodutiva diante do número de habitantes, o médico também disse que muitas delas, mesmo com dificuldade financeira, acabam comprando os anticoncepcionais nas farmácias. “Tem gente que acha que só porque o remédio é subsidiado pelo governo, não presta e outras preferem não enfrentar fila para agendar consulta com um especialista para pegar a receita médica”.
Mofatto frisou que todo anticoncepcional tem a sua função de evitar uma gestação e, segundo ele, “a época em que alguns remédios continham farinha passou há muito tempo. Não existe mais nada disso. O que acontece é que muitas mulheres se esquecem de tomar o remédio todos os dias, no caso, o oral, e depois falam para o marido e para a família que o remédio era fraco”. De acordo com o ginecologista, atualmente no mercado não existem anticoncepcionais que falham, mas mulheres, muitas vezes esquecidas, que têm a opção de tomar o anticoncepcional injetável. Outras, na opinião dele, precisam se informar mais sobre os procedimentos corretos de utilização dos métodos.
O consumo mensal médio de anticoncepcional oral na rede pública é de 30 mil comprimidos por mês divididos para 1.429 pacientes.

QUANDO FALHA

A recomendação para as mulheres que normalmente se esquecem de tomar a pílula, é que passem pelo médico para receitar o anticoncepcional injetável. “Tomando a injeção, é preciso se lembrar apenas uma vez por mês. Ainda existe a alternativa da injeção trimestral”. Conforme o levantamento, 525 pacientes usam anticoncepcional injetável.
Em todos os tipos de anticoncepcionais, seja injetável ou oral, Mofatto afirma que muitas mulheres não têm conhecimento sobre em quais situações o efeito pode ser alterado ou “cortado”. “No caso do oral, se a mulher vomita ou tem diarréia, o organismo pode não ter absorvido a substância e, se houver relação sexual, há possibilidades de fecundação. Uma outra situação é quando são ingeridos medicamentos, sobretudo antibióticos e antidepressivos, por exemplo. O ginecologista deve ser informado sobre todo medicamento utilizado para depois as pessoas não acusarem o medicamento de ‘fraco’”.
Já a pílula do dia seguinte não é considerada um método anticoncepcional, mas de emergência. Segundo levantamento da Central de Medicamentos, cerca de 30 comprimidos são consumidos mensalmente. “Existem critérios para o consumo desse remédio, se não, a demanda seria muito maior”.
Para o coordenador do Programa de Saúde da Mulher, essa distribuição tem sua parcela de contribuição com o planejamento familiar. Contudo, ele afirma que não existem mais justificativas para não se precaver de gravidez indesejada porque os governos de todas as esferas “estão investindo nesta causa”. (RR)

Jornalista: Gazeta de Limeira