Pedidos de demissão crescem 22%; 72% ganhavam até R$ 760

O número de pessoas que romperam o contrato de trabalho por iniciativa própria, sem qualquer motivo que caracterize a justa causa para a demissão, cresceu 22,23% no primeiro semestre de 2007 em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De janeiro a junho, dos 12.687 desligamentos registrados em Limeira, 2.842 (22,40%) foram dispensados a pedido. A participação no mesmo período de 2006 foi de 20,3% - 2.325 pediram a conta, entre os 11.437 desligados. Neste ano, foram 1.990 homens e 852 mulheres que saíram a pedido. Na comparação com o ano passado, houve crescimento de 30% no contingente masculino e de 6,2% entre as trabalhadoras.
A construção civil foi o setor em que os pedidos mais cresceram. A participação desse tipo de movimentação entre os desligados foi de 17,4% (101) para 23,7% (247). A indústria teve 822 registros (18,1%), contra 741 (17,6%) do primeiro semestre de 2006; a prestação de serviços passou de 850 (23,3%) para 976 (28,4%) em 2007; o comércio, de 614 (21,3%) para 748 (23,8%), e a agropecuária, de 19 (12%) para 49 (8,84%).
Na análise por faixa etária, os jovens de 18 e 24 anos foram os que mais pediram demissão, 1.164, o que corresponde a 40,9%. A segunda faixa vai de 30 a 39 anos, com 646 registros (22,73%). Quando se compara o vínculo empregatício, constata-se a maioria dos que pedem para sair (28,2% ou 803) ficaram apenas 2,9 meses - ao somar a faixa até 5,9 meses, foram 1.307 trabalhadores (45%).

BAIXO SALÁRIO

Os dados do Ministério do Trabalho apontam que a grande maioria (72,1%) dos trabalhadores que pediram demissão ganhavam, no máximo, até 2 salários mínimos (R$ 760) - a maior faixa, 38,5%, ganhava entre R$ 570 e R$ 760 (1.097 trabalhadores), o que pode revelar uma busca por melhoria na carreira. Apenas 3,4% dos desligados por conta própria ganhavam acima de 5 mínimos mensais(R$ 1,9 mil).
Para Yeda Oswaldo, consultora organizacional, há duas realidades que precisam ser consideradas na análise dos dados. Uma delas é o fato de que, quando o desemprego cresce, o trabalhador tende a aceitar qualquer vaga que surge. “De repente, é uma infelicidade. Existe a pressão da empresa e o profissional se desmotiva rapidamente e pede para sair”, conta.
Outra situação é que os jovens, líderes nos pedidos de demissão, estão cada vez mais conscientes sobre o que querem para um carreira. “Muitas vezes não é nem a questão do salário. A primeira pergunta que o jovem faz é: quais são as minhas chances de progressão?”, diz a consultora, lembrando que as próprias universidades focam até disciplinas ligadas à construção de uma carreira.
Segundo ela, o dado que aponta a maioria dos demissionários com menos de três meses indica uma realidade cada vez menos presente nas empresas: o processo correto de recrutamento e seleção. “As empresas erram quando juntam departamento pessoal (DP) e recursos humanos. O RH tem a obrigação de selecionar o perfil adequado para as necessidades da empresa”, diz.
Ela lembra que o clima organizacional de uma empresa sofre alteração com os pedidos de demissão. “Não adianta contratar um profissional inovador e empreendedor para uma cultura centralizadora e de fiscalização. A desmotivação do funcionário pode contaminar todo o ambiente de trabalho e prejudicar a produtividade”. (RS)


Jornalista: Gazeta de Limeira