O motorista afastado Jair Antônio da Rocha, de 49 anos, morador do Residencial Belinha Ometto, está indignado com o tratamento recebido no Hospital-Dia (antiga Beneficência Limeirense) na quarta-feira. Depois de um ano e três meses, Rocha conta que iria, finalmente, fazer o exame de campemetria nos olhos, mas não conseguiu.
"É uma peregrinação. O pedido de exame é de 11 de abril do ano passado, que foi cancelado e remarcado para 18 de agosto também de 2006. Com a troca da administração do hospital e retirada de alguns equipamentos, porém, foi adiado novamente. Após insistência, consegui marcar um novo exame para o dia 8 de agosto deste ano, mas mais uma vez foi cancelado", conta o motorista.
Portador de glaucoma e em tratamento desde 2002, Rocha informa que, além do longo período de espera, foi preciso aguardar mais três horas no hospital. "Depois de esperar mais um pouco, é que uma funcionária do hospital informou que os exames daquele dia tinham sido adiados. A justificativa foi que a sala onde seria feito o exame estava trancada e que não tinham a chave", informou Rocha.
O exame foi remarcado hoje, às 14h. Rocha disse que vai comparecer e aguardar. "É desagradável passar por uma situação desta, mas é assim que nós, pessoas que dependemos do SUS, somos tratados. É tanto desrespeito que não sei se acredito que amanhã (hoje) vou ser atendido para fazer o exame. O que sinto é frustração, descaso", lamenta.
Mesmo sem atendimento médico, Rocha conta que continua fazendo uso dos medicamentos para o glaucoma. "Diariamente, uso três colírios e gasto, em média, R$ 70 com Azopt, Maleato de Timolol e Tartarato de Brimoridina. Por enquanto, não sei como está a saúde dos meus olhos. É preciso fazer um exame", pede o motorista.
"Fico angustiado pela espera. Sempre é uma coisa diferente. Se não for atendido amanhã (hoje), não sei o que fazer. Acho que vai continuar o sentimento de frustração e acredito que vou voltar para casa e aguardar, porque não tenho condições de pagar os exames com recurso próprio", lamenta.
Ainda ontem no Hospital-Dia, outros 15 pacientes tiveram a consulta com a médica Paula cancelada, sem nenhuma justificativa. "Além de perder um dia de serviço e gastar com o transporte, ficamos sem atendimento e precisamos aguardar uma nova consulta", reclama um paciente que preferiu não se identificar.
A Assessoria de Imprensa do Hospital-Dia informa que já está ciente do ocorrido e apura estes dois casos.
JL - Júnia Mariano