Entra em vigor em janeiro de 2008 lei que proíbe o uso do amianto no Estado de São Paulo. O produto é cancerígeno e provoca problemas respiratórios. O governo do Estado realizará a campanha "O amianto mata" para esclarecer à população sobre os efeitos nocivos do mineral.
Algumas localidades no Brasil e no mundo já baniram o amianto. A sua comercialização e, em alguns casos, a produção já foram proibidas permanentemente. Em São Paulo, cerca de 21 municípios já aderiram à sua exclusão. Na esfera federal, porém, o mineral ainda não é proibido. No mundo, 48 países já não usam mais o amianto.
De acordo com a proprietária de uma loja de materiais para construção, Liliane Mônaco, a única telha que não usa o mineral é a Brasilit. "As outras marcas todas têm", fala. Ela - que é a favor da proibição - diz que as telhas quando cortadas soltam o pó, que é o amianto. "Os trabalhadores geralmente não usam óculos nem luvas e o pó é muito prejudicial à saúde".
Na cidade, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e Mobiliário de Limeira, Rangel da Silva, não há nenhuma ocorrência de caso com amianto. "Na região, não temos sua extração e nem sua moagem - que é onde se concentra o pó. Na construção civil, as chances de doenças com o mineral são pequenas - cerca de 10%", diz.
Segundo Silva, há discussões na esfera federal para se proibir no Brasil a sua comercialização. Há grupos, porém, que defendem o uso do amianto com controle. "Além das telhas, as caixas d++água também possuem o mineral", lembra.
Como conseqüência da proibição da utilização do amianto, têm surgido materiais como seus possíveis substitutos. No entanto, nenhum deles se mostrou tão versátil como o mineral. No mundo, 100 mil pessoas morrem de câncer por ter se contaminado com o amianto. No Brasil, 250 mil processos de indenização tramitam na Justiça.
Doenças causadas pelo amianto
Asbestose - Lesões do tecido pulmonar. Podem se tornar extensas ao ponto de não permitirem o funcionamento dos pulmões. O tempo de latência (período que a doença leva a se manifestar) é geralmente de 10 a 20 anos.
Mesotelioma - Cancro do revestimento mesotelial (pleura) do pulmão. O período de latência do mesotelioma pode ser de 20 a 50 anos. A maior parte dos doentes morre em menos de 12 meses após o diagnóstico.
Cancro - Cancros do pulmão, do tracto gastrointestinal do rim e laringe foram associados ao asbesto. O período de latência é muitas vezes de 15 a 30 anos.
Verrugas - Produzidas quando fibras aguçadas se alojam na pele sendo recobertas por esta causando crescimentos benignos semelhantes a calos.
Placas pleurais - Espessamento de parte da pleura visível por meio de radiografias em indivíduos expostos ao asbesto.
Espessamento pleural difuso - Semelhante à anterior. Pode causar perda de capacidade respiratória se a sua extensão for grande.
JL - Paula Martins