Cidade tem 21,9 mil terrenos vazios e descuido irrita população

Limeira tem hoje 21.925 terrenos particulares sem construção. A maioria deles não recebe os cuidados devidos e se tornam focos de sujeira, entulho e mato alto, gerando a reclamação de vizinhos.

A informação é do Departamento de Cadastro e Obras Particulares da Secretaria de Planejamento, que comprova também o estresse e o incômodo que esses terrenos mal cuidados provocam. Entre janeiro e agosto desse ano a Secretaria registrou centenas de reclamações somente relacionadas à limpeza de terrenos. Em alguns casos elas chegaram a totalizar 104 em um só mês. A média é de três reclamações/dia. Nesse mesmo período foram emitidas pela Prefeitura 733 notificações e 233 autos de infração.
De acordo com o Departamento, a lei municipal obriga os proprietários de terrenos sem construção a mantê-los limpos e murados, caso contrário são multados. No entanto, muitos proprietários deixam de providenciar a limpeza mesmo sendo multados.
Além de deixar a cidade esteticamente prejudicada pelo aspecto de abandono, ainda há uma questão que envolve a saúde pública, terrenos vazios com mato alto e sujeira - hospedam e ajudam a proliferar aranhas, cobras, escorpiões, entre outros. O próprio Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) alerta constantemente sobre o assunto.

A ESPERANÇA

Queixas de moradores são constantes na Gazeta. Eles telefonam e solicitam reportagens na esperança de que a Prefeitura possa agilizar o processo de limpeza. Mas em muitos casos, o problema não é solucionado porque o trâmite na administração pública é moroso. Primeiro o proprietário é notificado, depois multado e em último caso, a Secretaria de Obras faz a limpeza.
Em bairros nobres ou mais carentes é possível encontrar terrenos mal cuidados. No Parque Egisto Ragazzo e Jardim Lagoa Nova, por exemplo, há dezenas deles. Para a Prefeitura é um problema ter que cuidar de um patrimônio privado, em especial nas áreas mais problemáticas do município.

OPINIÕES IGUAIS

A Gazeta ouviu alguns populares na rua para comprovar a irritação das pessoas com os terrenos sujos e com mato alto. Maria Elizabete Pereira, disse que em seu bairro, no Jardim do Lago, vários terrenos sem manutenção podem ser encontrados. Ela cita que o mesmo ocorre nas imediações. “Na minha rua mesmo tem terrenos nessas condições. Acho que o dono precisava se conscientizar. Se é dele, é sua obrigação pelo menos de três em três meses fazer a limpeza”, opinou.
Jaime dos Santos de Oliveira Júnior, mora no Bairro Nossa Senhora do Amparo. Ele reconhece que lá existem poucos terrenos vazios, mas lembra que mesmo sendo em pequena quantidade é possível encontrar aqueles em situação precária. “Perto da minha casa tem poucos terrenos, mas sempre estão com mato alto. Isso com certeza deixa a gente irritado. O bairro fica feio e bichos aparecem”, comentou.
Para o aposentado Jonatas Silvestre, morador do Jardim Nova Conquista, o município deveria criar uma nova lei obrigando os proprietários a cercar seus terrenos e plantar grama. “Se fosse obrigatório plantar grama no terreno e cercar, nenhum desses problemas existiria porque a grama não cresce tanto como o mato e fica bonito. Isso me estressa. E estressa os outros, principalmente quem mora ao lado do terreno vazio”, sugere. (BL)


Jornalista: Gazeta de Limeira