Técnica do plantio direto pode salvar o solo além de proteger o Meio Ambiente

Arar o solo para plantar qualquer tipo de cultura pode fazer parte do passado para dar espaço à técnica de plantio direto. Esse sistema de manejo do solo, que traz inúmeros benefícios ao Meio Ambiente, é utilizado em Limeira, mas ainda não é conhecido por alguns agricultores.

A Gazeta foi conferir a técnica na propriedade do citricultor Waldomiro Jorge Ivers, que há alguns anos a utiliza e garante que tem adquirido benefícios próprios, e o mais importante, colaborando com o Meio Ambiente, que é uma grande preocupação particular.
Em um espaço de mais ou menos um alqueire, Ivers plantou nabo forrajeiro, uma das plantas utilizadas para o plantio direto. É uma espécie de crescimento inicial rápido e elevada capacidade de reciclar nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, desenvolvendo-se razoavelmente em solos fracos com problemas de acidez. Uma planta da família das Crucíferas, muito utilizada para adubação verde no inverno, rotação de culturas e alimentação animal.
O citricultor pretende retirá-la em meados de setembro, para plantar milho. Mas como funciona o plantio direto?
O diretor de Recursos Hídricos, Dirceu Brasil Vieira, e o diretor de Agricultura e Abastecimento, Cláudio Franco, estavam junto com a reportagem e explicaram o processo. De acordo com eles, o plantio direto é um sistema de manejo do solo onde a palha e restos vegetais, no caso o nabo-forrajeiro, são deixados na superfície do solo. O solo é revolvido apenas no sulco onde se depositam sementes e fertilizantes e as plantas infestantes são controladas por herbicidas. Com isso, não há necessidade de preparação do solo para o plantio, no caso, de milho.

EROSÃO

Trata-se de uma técnica extremamente eficiente para o controle da erosão, ainda mais que na propriedade de Ivers passam vários córregos, que formam a Bacia do Pinhal. “Tenho uma grande preocupação com o solo justamente porque a Bacia do Pinhal é nossa fonte de abastecimento. Não posso colaborar com sua degradação”, disse Ivers.
A palha sobre a superfície protege o solo contra o impacto das gotas de chuva, reduzindo a desagregação e o selamento da superfície, garantindo maior infiltração de água e menor arraste de terra. O plantio direto reduz em até 90% as perdas de terra e em até 70% a enxurrada. As perdas de nutrientes, que são proporcionais às perdas de terra e água, são menores com o plantio direto.

RETENÇÃO DE ÁGUA

Um dos principais efeitos desse sistema, é o aumento da água armazenada e da umidade do solo, com reflexos positivos sobre a produtividade, quando ocorrem veranicos durante o desenvolvimento das culturas. Além do aumento da infiltração de água no solo, com uma cobertura morta de cerca de 70%, a evaporação do solo é reduzida de forma significativa. Assim, conforme explicaram os diretores, a retenção de água é maior, podendo representar uma economia de até 30% de água em algumas áreas de produção irrigada.

ECONOMIA

Se já não bastassem os benefícios para o Meio Ambiente e às próprias culturas a serem plantadas, o custo de produção no plantio direto é significativamente mais baixo que nos sistemas convencionais, garantiu o diretor de Agricultura. Além disso, sem as operações de aração e gradagem, a potência requerida para os tratores é muito menor e há aumento da vida útil das máquinas e implementos.
Diante das grandes preocupações com preservação, também no município, Vieira disse que esta técnica garante a sustentabilidade da agricultura, com mínimos impactos ambientais e sem degradação dos recursos naturais. “Estamos tentando levar ao conhecimento da população, todas as formas que os possibilitem colaborar com o Meio Ambiente, e o plantio direto, além de tudo, é um aliado muito importante dos agricultores”.
Quando Ivers for plantar o milho, vai guardar as sementes do nabo forrageiro para plantar e preparar o solo, de forma natural, para o plantio de nova cultura.
Para mais informações sobre o plantio direto, a Secretaria da Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos está à disposição pelo telefone 3451-7309. (RR)


Jornalista: Gazeta de Limeira