Pipas com cerol colocam em risco ultraleves ainda durante o vôo

O que era um hobby está se tornando risco de morte. Pipas com cerol na região do Aeroporto Municipal, estão sendo uma ameaça para pilotos durante pouso e decolagem. Por pouco, três ultraleves quase caíram anteontem em Limeira.

O presidente da Associação Limeirense de Aviação Leve (Alal) Augusto César Janoski, era um dos pilotos que tiveram o avião danificado por linha com cerol. Seu ultraleve, do modelo Coyote, teve um corte profundo na asa. “Por muito pouco o alumínio de sustentação da asa não foi atingido. O perigo maior estaria neste local, porque a asa poderia ser até arrancada”. Um outro ultraleve, do mesmo modelo, também teve uma das asas cortada.
Já a situação do terceiro avião, do piloto Roberto Marcel Caurim, foi a mais grave. Além do corte no capô, também teve o sistema de freio da roda esquerda cortado pela linha com cerol, que ainda ficou totalmente enrolada na hélice. “Se a linha vai um pouco mais à frente, a mangueira de água poderia ser atingida. Com isso, o motor automaticamente pára levando o avião ao chão. E, se isso acontecesse, com certeza aconteceria uma tragédia, porque não daria tempo de chegar à pista e a queda seria no próprio bairro, podendo atingir casas”.
Os ultraleves estavam mais ou menos a 100 metros de altura. Estavam iniciando um pouso, na cabeceira da região do bairro Ernesto Kühl. De acordo com Janoski, na tarde de segunda-feira (feriado), havia pelo menos 20 pipas nas imediações da pista. “Nós conseguimos ver os papagaios, mas a linha não”.
O prejuízo, de acordo com o presidente da Alal, foi avaliado em torno de R$ 7 mil. Mas, o valor é irrisório comparado ao estrago que poderia ter sido causado.

OUTRAS SITUAÇÕES

Esta não foi a primeira vez que ultraleves e outros tipos de aviões foram atingidos com linhas de cerol utilizadas para soltar pipas. O próprio piloto Caurim contou que seu avião já foi danificado, mas não como desta vez. O que mais surpreendeu foi quando aconteceu o último episódio: na semana passada.
O diretor social da Alal, Tadeu Benedito Leme, afirmou que “o medo ou receio”, toma conta de vários pilotos nesta época, justamente porque a maioria já vivenciou ou viu algum avião ser danificado por causa de pipas. “Graças a Deus nunca aconteceu uma fatalidade, mas precisamos evitar, porque do jeito que está, pode acontecer a qualquer momento”.
Pilotos de ultraleves GI são os mais vulneráveis, porque não têm pára-brisa, apenas os equipamentos de segurança necessários. “Se uma linha com cerol acertar o cabo de aço, que sustenta a asa, o estrago está feito”.
Há 40 dias, uma das pás da hélice de um ultraleve, na cidade vizinha de Americana, foi cortada por linha de cerol. De acordo com Caurim, o piloto teve que fazer pouso forçado e a sorte é que havia um milharal na redondeza.

MEDO

Diante desta situação, os pilotos da Alal, vão realizar uma reunião para pedir “uma atenção especial” da Guarda Municipal (GM), sobretudo nos fins de semana, quando há maior incidência de pipas na região do Aeroporto. “Estamos assustados e com medo”. Mas, ontem, em plena manhã de terça-feira, a Gazeta flagrou pelo menos três crianças soltando pipas duas ruas abaixo da pista.
O diretor social já iniciou um trabalho de conscientização com as próprias crianças e adolescentes que deixam pipas cair sobre a pista. De acordo com ele, quando possível, são convidados para entrar nos hangares para ver o que a linha com cerol pode causar em aviões. “Eles ficam impressionados. Um deles até jogou o que tinha na mão. Mas isso não basta. Precisamos conscientizar a população vizinha”. Leme ainda disse que a Aeronáutica enviará material didático para palestras em escolas.
Já o diretor da GM, Márcio Bahrun, disse que um trabalho de apoio à Polícia Militar (PM) é realizado com freqüência, tanto que várias apreensões do tipo foram feitas nos últimos dias. Apenas anteontem, 10 pipas foram quebradas pela GM naquela região. Porém, como se trata de uma região problemática, Bahrum disse que a única solução mesmo é conscientização, porque na maioria das vezes, trata-se de menores. “Pais devem estar atentos”. (RR)

Moradores se arriscam ao fazer de pista acesso para bairros

A cerca em volta do Aeroporto Municipal foi colocada há pouco mais de dois meses e já está quase totalmente danificada. São os pilotos que muitas vezes fazem o remendo. De acordo com o presidente da Associação Limeirense de Aviação Leve (Alal), Augusto César Janoski, moradores fazem da pista de pouso e decolagem, acesso para bairros. “Eles preferem se arriscar a ter que dar a volta”. Sem contar que alguns adolescentes chegam a desafiar pilotos. Roberto Marcel Caurim, contou que não foi apenas uma vez que viu “garotos” parados no ponto de toque dos aviões, muitas vezes dando tchau ou dançando. “Eles não têm noção que é complicado para desviar durante um pouso e, em muitas das vezes, nem são vistos”. A Guarda Municipal (GM) também foi comunicada sobre os fatos. O diretor Márcio Bahrun, disse que, diariamente, um guarda fica no local. “O local é muito grande e, em questão de minutos a cerca pode ser danificada”, justificou. Quanto ao risco dos adolescentes, Bahrun contou que sempre são tomadas providências e reafirmou que o bairro é problemático. “Mas vamos intensificar a fiscalização na região”. (RR)


Jornalista: Gazeta de Limeira