Museu de Limeira está interditado há 6 meses

Com um amplo acervo histórico e pedagógico, o Museu Major José Levy Sobrinho de Limeira, está interditado há seis meses. Desde que foi constatado risco de o teto desabar em alguns pontos no interior do prédio, ele foi fechado. Além disso, duas luminárias caíram à noite após a interdição. Embora o patrimônio seja do Estado, é a Prefeitura local que vai realizar as obras de reparos. No entanto, o Executivo aguarda parecer de um órgão estadual para abrir licitação e iniciar os trabalhos.

O órgão é o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de Estado de São Paulo (Condephat). A necessidade de aprovação do projeto pela entidade é um critério que a Prefeitura tem que obedecer porque o prédio do Museu está em processo de tombamento. Sem análise do projeto, não há como fazer qualquer obra na área.
De acordo com o secretário da Cultura, José Farid Zaine, o processo foi encaminhado ao órgão em fevereiro. A Secretaria enviou para o Condephat, um documento contendo fotos mais o projeto referente as obras que precisam ser feitas.
O trâmite começou no Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali). Com a aprovação do Condephali, o documento foi remetido ao órgão do Estado.
Mas até agora, não houve retorno do Condephat. A Gazeta entrou em contato com a Assessoria da presidência da instituição e foi informada de que será feita consulta do processo e que os esclarecimentos serão feitos hoje.
A museóloga responsável pelo Museu de Limeira (desde 1984), Ariadne Francisca Miguel, disse que o prédio está comprometido, segundo relatos de peritos especialistas que visitaram o local no começo do ano. Ela mostrou à Gazeta um ofício, em que o secretário de Obras, Renê Soares, na época, emitiu solicitando o fechamento do Museu enquanto as obras principalmente no teto não estiverem prontas.

SEGURANÇA

Farid reforça que o fechamento teve como objetivo garantir a segurança dos visitantes, principalmente porque a maioria deles são crianças. Mensalmente eram entre 500 e 700 visitas com picos de 900, conforme Ariadne. Esse número não inclui as escolas. Semanalmente eram em média uma escola e duas classes que faziam a visita ao Museu.
Com a interdição, o acervo de 2.091 itens, entre móveis, objetos, vídeos, fitas entre outros tipos de documentos fica parcialmente parado. Porém, para não deixar paralisado totalmente todo esse material, a museóloga falou que exposições estão sendo feitas no Palacete Levy, com diferentes temas, deixando parte do material à mostra.
A museóloga também contou que sem crianças, o Museu ficou “triste”. “O Museu perdeu a alegria porque faltam os alunos. A função do Museu é justamente essa, de exercer ação educativa cultural. É através das crianças que queremos mudar a mentalidade da família, porque muitos voltam com os pais, avós, depois de terem visitado o Museu com a escola”, contou.

SEM ESTRUTURA

Ariadne também revelou que a celulose da madeira foi corroída pelos cupins e que o forro está preso pela casca da tinta. Em alguns pontos do Museu é possível constatar os estragos. Há também fissuras e rachaduras pelas salas. No corredor principal, há um grande buraco no forro, causado por uma ferramenta que teria escapado de um trabalhador que trocava as telhas, no telhado do prédio no final do ano de 1995.
Materiais históricos sobre a Revolução de 1932, o berço de major José Levy Sobrinho, a cama em que deitou Dom Pedro II com o emblema imperial, objetos religiosos, entre outras importantes peças valiosas guardam parte da história do País e de Limeira. Tudo está abrigado no Museu. A museóloga afirmou que ao contrário de muitos museus em São Paulo, o único existente em Limeira era bastante visitado. (BL)


Jornalista: Gazeta de Limeira