Limeira pode ter 48 novos bairros

Falta de estrutura no transporte, vagas em creches, deficiências na área da Saúde. A explicação está no crescimento desenfreado que atingiu Limeira após os anos 40’s. Pela evolução da mancha urbana limeirense é possível constatar erro no desenvolvimento urbano e prever o futuro. Nos últimos oito anos, por exemplo, o município ganhou 40 bairros. E outros 48 devem “aparecer” pelos pedidos de loteamentos, em especial, populares.

Foi antes da reestruturação do Plano Diretor em 1999, que houve o “boom” de bairros, segundo o secretário de Planejamento Ítalo Ponzo Júnior. Ele considera o período de explosão do aparecimento de novas regiões foi nos anos 80, quando foram construídas as moradias no Cecap e Parque Nossa Senhora das Dores - hoje duas das maiores áreas em concentração de pessoas.
Atualmente há diversos loteamentos sob especulação imobiliária, como é possível constatar em um passeio de carro, por exemplo, mas muitos permanecem praticamente inabitados. Porém, o secretário acredita que ainda há mercado a ser explorado em Limeira - o que explica - a quantidade de novos loteamentos que vão surgir a partir dos projetos aprovados na Prefeitura.

MUDANÇA DE FOCO

A partir de 99 o mapa de Limeira começou a ser preenchido nos campos (regiões) já com infra-estrutura prevista (água, luz, esgoto), por exemplo, evitando a dispersão periférica onde está a maior aglomeração da pobreza. Mas deixando separada a periferia dos novos bairros de classe média ou alto padrão. “Hoje, a legislação incentiva a ocupação de espaços vazios, mas em áreas onde já haja infra-estrutura e entre todos os pedidos de loteamentos (48), quase todos preenchem os requisitos”, adverte.
Os populares são maioria entre os pedidos e esses loteamentos deverão estar “encostados” em outros já habitados pelas classes mais desfavorecidas. A Prefeitura controla e aponta para que lado da cidade está a tendência de crescimento - hoje já alvo de especulação imobiliária.
Entre os populares, é possível que um bairro seja “encostado” no Parque Abílio Pedro e entre os de alto padrão, na região da Graminha, especificamente no entorno da Via Guilherme Dibbern, por exemplo. “É possível observar um espaço na região da Graminha, onde já foram feitos lotes de alto padrão”, citou.

POR QUE A TENDÊNCIA

Ponzo ressaltou que os loteamentos são uma tendência em Limeira por uma questão de alternativa. A outra alternativa seria o crescimento vertical, com novos prédios. Mas o secretário disse que os loteamentos avançaram, enquanto investimentos em prédios não. Isso explica a opinião dele quanto ao mercado ainda em estado de expansão. “Não acho que o mercado está saturado ainda. Acredito que os loteamentos são alternativas positivas, principalmente os condomínios fechados, que são procurados principalmente por quem busca mais segurança”.

CIDADE SEPARADA

A separação da população pobre das mais favorecidas é fato em Limeira. O mapa mostra essa tendência, como ocorre em grandes metrópoles. Mas o alerta do secretário é em relação ao estado estético do município, que piora na medida das facilidades de compra de terrenos populares. “As pessoas acreditam que podem pagar as parcelas, mas compram o terreno que ainda não foi totalmente estruturado. E quando ele se vê pagando aluguel mais as parcelas, muitas vezes constrói algo para poder morar no próprio terreno, mas sem água e luz. E assim, não tem a chance de obter uma moradia adequada. Sem acabamento, por exemplo. Então a orientação é que seja levado em conta o que o loteador está oferecendo de imediato”. (BL)


Jornalista: Gazeta de Limeira