Os preços dos cigarros devem ficar mais caros nos próximos dias. A Receita Federal elevou em 30% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre o produto. O aumento entrou em vigor anteontem e deverá resultar em um aumento de 15% a 20% nos preços dos cigarros para o consumidor, além de elevar em R$ 1 bilhão por ano a arrecadação do governo federal com o IPI. "Certamente, os fabricantes vão repassar o aumento do IPI para os preços", prevê o coordenador de Fiscalização da Receita Federal, Marcelo Fisch.
De acordo com a regulamentação da Receita, os fabricantes de cigarros devem comunicar ao Fisco, com três dias úteis de antecedência, qualquer alteração nos preços ao consumidor. Os fabricantes também devem assegurar que os preços de venda a varejo e a data de sua entrada em vigor sejam divulgados ao consumidor mediante tabela informativa a ser entregue aos varejistas.
A indústria de cigarros é uma das mais tributadas pelo governo. De cada R$ 1 do preço do cigarro pago pelo consumidor, R$ 0,65 é imposto. O Brasil produz cerca de 5,3 bilhões de maços de cigarros por ano. Mesmo com o possível aumento, muitos fumantes não pensam em parar. "Vou continuar fumando do mesmo jeito", diz a comerciante Alessandra Redondano, que é tabagista há 10 anos.
Da mesma opinião é o pizzaiolo Rafael Oliveira, que fuma há 8 anos. "Vai afetar no bolso, mas não é por causa do preço que vou parar de fumar", afirma. A mesma linha de raciocínio tem a faxineira Roseli Barbosa, fumante há um ano. "Acho que não vão subir tanto assim os preços do cigarros. Mesmo se subir, não vou parar de fumar", diz.
Há, porém, quem acredite no inverso. "Acho que o preço alto pode fazer muitas pessoas pararem de fumar, porque começa a pesar no orçamento", opina o comerciante Marcelo Corrêa da Silva. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que quando há aumento de 10% a mais no valor do cigarro, 4% da população fumante pára de fumar.
Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o consumo de cigarros corresponde, em média, a 1,25% da renda do brasileiro.
JL - Paula Martins