Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) continuavam até a tarde de ontem acampados no Bairro dos Lopes, área rural de Limeira. O grupo alegou que ainda não havia sido notificado pela Justiça, que determinou anteontem a reintegração de posse da área ocupada há uma semana.
A previsão era de que o cumprimento da reintegração ocorresse ontem. Um oficial de Justiça iria pela manhã até a área informar lideranças do movimento a respeito da determinação judicial. Um dos coordenadores do movimento, José de Arimatéia, de 40 anos, disse ter ficado sabendo da decisão da Justiça pela imprensa. "Estamos aguardando a notificação para discutir o que será feito junto com a coordenação do movimento. Por ora, está tudo normal", afirmou.
Conforme Arimatéia, as liminares são comuns em assentamentos. No entanto, ele avalia haver um equívoco na decisão de anteontem. "A área que estamos ocupando é da União e não da prefeitura. Não entendemos a razão do município entrar com ação, ainda mais porque é uma área improdutiva", citou.
Em nota divulgada durante a semana, o Executivo informou que a área é de propriedade da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). "A prefeitura está mantendo negociações com a rede para adquirir a área para fazer no local um distrito industrial", explica a administração.
A prefeitura moveu uma ação pedindo a saída das cerca de 270 famílias sem-terra que estão instaladas no local. A liminar em favor do município foi emitida pelo juiz Flávio Dassi Vianna, da Vara da Fazenda Pública. O local atual é o segundo que o MST ocupa desta vez em Limeira para alojar as famílias. Há duas semanas, o movimento ocupou área da Usina Iracema, na Via Jurandyr Paixão (antiga Tatuibi) e deixou o local após a usina ter procurado a Justiça.
Henry Villela - Limeira