A Prefeitura de Limeira vai suprir os 53 ônibus fora de circulação do transporte público, devido à paralisação dos motoristas, através de uma contratação em caráter emergencial. A intenção da Prefeitura é dispor até 55 veículos, entre ônibus e microônibus, até amanhã. Ontem, motoristas e cobradores protestaram liberando a passagem para os usuários da Praça do Museu durante o horário de maior fluxo, das 16h30 até as 18h30.
Em média, cada ônibus levou cerca de 100 pessoas, um aumento de quase 40% em relação aos 72, limite máximo normal.A contratação emergencial foi apurada pela Gazeta no Gabinete da Prefeitura no início da noite de ontem. O prefeito Sílvio Félix (PDT) preparou, com o acompanhamento dos advogados da Prefeitura, a documentação necessária. As contas, cujos valores não foram informados, serão prestadas diretamente no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Nas contas da Prefeitura, os 55 ônibus se somariam aos 52 que os trabalhadores mantêm nas ruas e aos 29 veículos disponibilizados desde o início da greve - 10 deles pertecem à frota municipal -, recompondo, assim, a frota original. Segundo a reportagem apurou, qualquer proprietário que tenha veículo em bom estado - será necessário apresentar laudo de vistoria -, pode procurar hoje a Secretaria de Transportes para saber mais informações.
A decisão da Prefeitura veio após mais um dia de caos nas ruas. Motoristas e cobradores consultados pela Gazeta consideraram ontem o pior dia desde o último dia 25, quando o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a volta de 50% da frota dos ônibus nas ruas. O protesto feito no final da tarde resultou em correria. Motoristas particulares, que desde o início da greve foram para as ruas para tornarem-se uma opção de transporte, foram expulsos pelos manifestantes dos pontos - em alguns momentos, houve discussões e empurrões.
Os motoristas que estavam em serviço participaram do protesto, fechando a porta lateral de entrada dos ônibus. O protesto foi decidido em assembléia feita pelos trabalhadores ontem. A carreata em torno da praça Toledo Barros começou por volta das 16h. Cerca de 250 motoristas, que haviam terminado o turno de trabalho, participaram do movimento, que parou por trinta minutos as ruas em torno da Gruta e da praça do Museu, ponto considerado como central para a distribuição das linhas.
O presidente do Sindicato dos Condutores, Benedito Barbosa, disse que a carreata foi decisão da assembléia e que deverá ocorrer mais até a definição do dissídio coletivo por parte da Justiça, previsto para a próxima semana. “A Prefeitura está vendo os ônibus superlotados e transportes sem qualquer tipo de fiscalização para comprovar bom estado para uso. Em nenhum momento foi dada assistência à população”, criticou.
Um motorista que faz a linha 102 contou à Gazeta que chegou a fazer duas viagens, entre anteontem e ontem, do Parque Nossa Senhora das Dores até o Parque Hipólito, com 140 e 130 pessoas, respectivamente. A operadora de balança Maria Inês de Oliveira, moradora do Jardim Graminha, caminhou da Vila Esteves até a praça do Museu para pegar ônibus. “Depois do Museu, o ônibus lota tanto que os motoristas não abrem mais a porta. Todo dia estou tendo meu salário descontado por conta dos atrasos”, desabafou.
O assistente administrativo Claudionor José se diz cansado de tanto esperar ônibus. “É muita demora e estão todos superlotados” A Gazeta apurou que Viação Limeirense fez uma readequação das linhas 01, 15 e 105 , que estão fazendo apenas linha bairro-centro. A medida seria para atender à demanda dos bairros mais populosos.
Segundo um diretor da empresa, que preferiu manter-se no anonimato, a Viação Limeirense já acionou advogados para cobrar na Justiça os prejuízos causados pela liberação da passagem. “O sindicato vai se responsabilizar por tudo”. (RS)
Greve continua por tempo indeterminado
A paralisação do transporte coletivo não tem data para acabar. O movimento continua até a notificação oficial do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, que instaurou anteontem o dissídio coletivo. Membro da Comissão dos Trabalhadores, Helano de Souza disse que a decisão deve sair até o dia 10.
Na última tentativa antes de o caso ser encaminhado ao Tribunal, motoristas ficaram descontentes com a Viação Limeirense e a Rápido Sudeste, que retiraram a proposta oficial de reajuste, forçando o dissídio. A Prefeitura informou, através de Assessoria de Comunicação, que solicitou ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) rapidez no julgamento do dissídio. Segundo a nota, o secretário municipal dos Transportes, José Augusto Ferreira de Camargo e advogados da Prefeitura estiveram ontem no TRT.
A assessoria diz que a solicitação inclui relatos da situação vivida pelos usuários do transporte coletivo com a semiparalisação.A Secretaria de Transportes informou também que, durante todo o dia de ontem, um funcionário da pasta foi designado para conferir o itinerário das linhas. Será feito um relatório sobre o que foi constatado e, se necessário, a Prefeitura de Limeira irá notificar as duas empresas para que os trajetos sejam cumpridos.
Segundo o cobrador Antônio Carlos dos Santos, os protestos devem ocorrer diariamente até a decisão do TRT.O prefeito Sílvio Félix disse ontem que a Prefeitura está tentando derrubar na Justiça o contrato firmado pelo ex-prefeito José Carlos Pejon (PSDB), que prorrogou o contrato das duas viações até 2012. Segundo Félix, os funcionários partiram para um meio sem volta, ao recusar os 6% que a Prefeitura pediu e as empresas aceitaram oferecer. “As empresas quiseram discutir as reivindicações durante o ano porque não sabem se ganharão a licitação. A greve está ganhando contornos políticos e a população está sendo prejudicada”, disse. (ESS/RS)
Jornalista: Gazeta de Limeira