Os maiores culpados pela permanência de partículas inaláveis são, sobretudo, a considerável frota existente em Limeira, a prática irregular de queima não só de cana, mas de mato também.
Este conjunto de fatores associado a outros, tornam o município com ar mais poluído do Estado de São Paulo. Já do interior, Limeira só perde para Santa Gertrudes.
A constatação é da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Este é o resultado da análise feita no ano passado, que foi divulgada nesta semana. Com a média anual de 52 microgramas de partículas inaláveis por metro cúbico de ar (a média padrão é 50 microgramas), e a máxima de 109 microgramas de partículas (a máxima padrão é 150), Limeira ainda permanece nesta escala de municípios.
É que em 2005, a medição revelou a mesma posição da cidade, mas com média de 56 microgramas de partículas e máxima de 144. “Apesar da cidade se manter como terceira do Estado com ar mais poluído, percebe-se que o nível máximo de partículas inaláveis teve uma queda”, destacou o gerente da agência da Cetesb em Limeira, Adílson Rossini. Santa Gertrudes registrou 68 microgramas de média e 133 de máxima. Cubatão, que está em primeiro lugar da lista no Estado, teve média de 99 microgramas de partículas inaláveis e 279 de máxima.
De acordo com ele, houve uma melhora da máxima de microgramas em Limeira e tem a ver com o tipo de inverno (estiagem) que ocorre durante o ano. “A qualidade do ar depende da porcentagem de dias desfavoráveis”, contou, apontando a umidade relativa do ar baixa, pouca chuva, ausência de ventos e poucas frentes frias. Conforme explicou, esses elementos contribuíram para que 2005 tivesse o ar pouco inferior ao de 2006. Segundo ele, para cada ano existe uma explicação que também envolve as questões climáticas.
Mas, com exceção da questão meteorológica, Limeira tem uma frota de quase 140 mil veículos de todos os tipos. Só até abril do ano passado, a Secretaria de Estado da Agricultura informou que 183 propriedades no município pediram autorização para queimar a palha da cana. No entanto, existem também as queimadas irregulares, que também se encontram nos bairros, onde em vez de fazer limpeza, ainda tem gente que prefere lançar fogo em mato.
“Essas atitudes são extremamente nocivas não só para o ar, mas conseqüentemente, para a qualidade de vida de toda a população”. Já em relação à frota, Rossini afirmou que se trata de uma conscientização na qual envolve vários setores e, que atualmente, sobretudo com a questão do aquecimento global em foco, os veículos novos estão adaptados para emitir menos poluentes.
Em relação à emissão de poluentes das indústrias, o gerente contou que o controle tem sido bastante rígido. “Eles mesmos têm se preocupado em utilizar filtros e outros equipamentos que evitem a poluição”.
Uma ação integrada entre Defesa Civil, Cetesb, Guarda Municipal (GM), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar (PM), Polícia Civil, Tiro de Guerra (TG), Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), Diretoria Regional de Ensino e Câmara, através da Operação Inverno, é considerada extremamente importante para minimizar os impactos no ar, principalmente em época de estiagem. A Operação neste ano, está prevista para começar ainda no fim deste mês. (RR)
Qualidade de vida pode ser comprometida
Os altos índices de partículas inaláveis no ar acabam acarretando problemas respiratórios. Limeira está localizada em um ponto que desfavorece a circulação dos poluentes, por isso, as análises mostram que há acúmulo deles. Contudo, a incidência de rinites, sinusites, alergias e problemas pulmonares aumentam consideravelmente com a oscilação da temperatura e estiagem. (RR)
Jornalista: Gazeta de Limeira