Liminar manda metade dos ônibus rodar.

As empresas de transporte coletivo de Limeira - Viação Limeirense e Rápido Sudeste - conseguiram uma liminar para que metade da frota seja colocada nas ruas. A decisão da juíza Maria Cecília Fernandes Álvares Leite, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de Campinas, foi obtida ontem por volta das 16h. Antes desse horário, nenhum ônibus circulou. A paralisação foi total - teve 100% de adesão.

Somente depois de tomarem conhecimento da liminar é que alguns motoristas assumiram os ônibus. Na Rápido Sudeste, três veículos deixaram a garagem por volta das 17h. Uma hora depois, nenhum ônibus tinha deixado a sede da Viação Limeirense. Motoristas e cobradores estavam reunidos para definir como iriam acatar a decisão judicial.

Alguns trabalhadores disseram ao Jornal de Limeira que não estavam dispostos a retornar ao serviço. "As empresas que coloquem outros motoristas e cobradores. Vamos permanecer parados. Em greve", falou um trabalhador, que preferiu não ser identificado. Advogados do Sindicato dos Motoristas de Limeira também discutiam o teor da liminar e como ela deveria ser cumprida.

A decisão judicial determina que sejam mantidos 50% dos serviços. Anteontem, a categoria tinha anunciado que iria manter 30% da frota nas ruas, mas isso acabou não acontecendo. Presidente do sindicato, Benedito Barbosa diz que os trabalhadores não impediram a saída dos veículos. "Os ônibus estão aí. Por que as empresas não trazem motoristas de fora como fizeram na greve anterior?", questiona. Em janeiro, a categoria também cruzou os braços. Só que naquela oportunidade, parte do transporte foi mantida.

MULTA DIÁRIA
A liminar estabelece multa diária, caso ela não seja cumprida. O valor é de R$ 10 mil. A juíza classifica a greve - por aumento salarial - como abusiva, uma vez que não houve comunicação prévia de 72 horas aos usuários nem todas as formas de negociação foram esgotadas. Ela ainda questiona a participação do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira e região na greve.

A Prefeitura de Limeira também informou que buscaria a Justiça para garantir o transporte, por meio de uma ação civil pública. Antes disso, porém, a administração pública agiu de outra forma. Colocou 12 veículos - entre ônibus, vans e kombis - para transportar gratuitamente os passageiros. Os bairros foram divididos em seis regiões.

A cabeleireira Fabiana Cardoso, por exemplo, esperou bastante para voltar à sua casa no Jardim Vista Alegre. Pela manhã, ela caminhou uns cinco quilômetros. O percurso foi repetido à tarde, após esperar cerca de quatro horas por um veículo que fosse ao bairro onde mora. "O dia está complicado. O jeito vai ser andar", resumiu.

Lucro para perueiros e mototaxistas

Quem lucrou com a paralisação dos ônibus foram os perueiros e mototaxistas. Desde cedo, eles já estavam "rodeando" os pontos - atrás de passageiros. Do bairro ao Centro, as peruas cobravam, em média, R$ 2. A tarifa é R$ 1,80, mas subirá nos próximos dias para R$ 1,90. Até mesmo os donos de veículos escolares aproveitaram para ganhar um dinheiro extra. Após deixarem as crianças nas escolas, alguns partiram para o transporte alternativo.

O percurso da maioria deles envolvia a Praça do Museu, no Centro. Até carros particulares foram vistos pelo Jornal de Limeira nos pontos de ônibus. Todos com um mesmo objetivo - lucrar com a paralisação do transporte.

Os mototaxistas também registraram movimento intenso. As chamadas foram verificadas ao longo do dia todo. Uns cobravam R$ 3. Outros, no entanto, R$ 5. Foi esse o valor pago por uma moradora do Residencial Regina Bastelli até o Jardim Florença. "Além de ter pago mais caro, ainda precisei esperar cerca de uma hora. Só para trabalhar gastei R$ 10", reclamou a moradora, que preferiu não ser identificada.

Renata Caram - Limeira