A crise que atingiu há mais de três anos o segmento de jóias e folheados de Limeira já tem reflexos diretos no número de empresas e empregos. Para se ter uma idéia da turbulência pela qual passa o setor - que move boa parte da economia limeirense, acompanhado do segmento de autopeças -, só em janeiro, 20 empresas fecharam as portas. Os dados foram fornecidos pela Associação Limeirense de Jóias (ALJ).
Uma estimativa da entidade aponta a extinção de pelo menos 100 postos de trabalho com carteira assinada - sem contar o fim dos empregos indiretos - em virtude da estaganação do segmento. Dados do Sindicato dos Trabalhadores de Jóias Folheadas (Sintrajóias) revelam que o quadro é mesmo alarmante: no último semestre de 2006, foram demitidos 180 profissionais (média de 30 demissões por mês).
Em Limeira, existem nove mil empregados regulares e cerca de 50 mil indiretos, segundo levantamento feito pelos procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Piracicaba. Entidades do setor falam em cerca de 20 mil empregos.
Entre os obstáculos enfrentados pelo setor, os empresários lutam contra o câmbio desfavorável (dólar fraco frente ao real valorizado), cenário que inibe as exportações; invasão de produtos chineses nos mercados consumidores, com preços mais competitivos; e até a necessidade de melhorar a visão gerencial em algumas empresas.
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O maior problema que vem devorando a atividade econômica, porém, chama-se clandestinidade. Na opinião de um dos diretores da ALJ, Odair Zambom, ela é o combustível que alimenta o trabalho infantil e o despejo descontrolado de produtos químidos danosos no meio ambiente - vetores que estão sendo investigados pelos procuradores do MPT após denúncia feita pelo Jornal de Limeira com base em pesquisa do engenheiro Marcos Limbardi, da Unimep.
O estudo apontou a existência de seis mil trabalhadores infantis no setor - movidos pela clandestinidade.
Há um ano, um projeto de lei que obriga as empresas a informar os fornecedores que comercializam os produtos controlados (químicos) está parado na Câmara Municipal. Com a legislação, seria possível combater o comércio ilegal da matéria-prima que alimenta as fábricas clandestinas. Segundo o autor do projeto, vereador Joaquim Raposo (PRP), a proposta segue no Departamento Jurídico do Legislativo. "Fiz pedido para que acelerassem o parecer este ano", relata.
Secretário-geral do Sintrajóias, Carlos Chaves Solano defende ações severas sobre as empresas informais. Diagnóstico levantado pelo sindicato dos trabalhadores em 2003 e 2004 detectou 140 empresas informais de galvanoplastia e fundição de brutos. A maioria se concentrava no Parque Nossa Senhora das Dores.
Conforme o Jornal de Limeira mostrou na terça-feira, um grupo de trabalho foi formado para propor leis que combatem o despejo irregular de produtos químicos no ambiente e o trabalho infantil no setor em Limeira.
Paulo Corrêa - Limeira