População quer leis duras, mas cobra educação.

Na esteira da repercussão do assassinato do garoto João Hélio Fernandes, de 6 anos, no Rio de Janeiro, a sociedade brasileira voltou a debater amplamente medidas para tentar combater a violência no País. O assunto também domina o cenário político nos últimos dias.

Mais empregos, pena de morte, mais escolas ao invés de presídios, prisão perpétua e redução da maioridade penal. Diversidade de opiniões colhidas pelo Jornal de Limeira ontem no Centro de Limeira revela que não há consenso e nem mesmo saídas fáceis para frear a criminalidade - crimes graves como o que ocorreu no município com a estudante de Direito Flávia Maria Tetzner, de 23 anos, que foi morta e carbonizada. Veja algumas opiniões na seção Comunidade.

O Congresso Nacional respondeu a essa demanda fortalecendo a legislação penal. Entre anteontem e ontem, um pacote de projetos sobre segurança (nove ao todo) foi colocado em votação para tentar buscar saídas concretas contra a violência.

Dois deles ganharam holofote: o primeiro é o cumprimento de 2/5 da pena no regime fechado para pedir a progressão de pena para o regime semi-aberto. O segundo é o aumento da penalidade para os adultos que envolverem crianças e adolescentes em crimes.

A dona de casa Silvanete Cardoso, de 45 anos, apesar de pôr fé nesses projetos, prefere atacar por outro flanco: "Olha, muito do que está acontecendo hoje é porque os pais falharam na educação dos filhos. Além disso, faltam empregos para os adolescentes e o ser humano hoje é muito ganancioso. Todo muito só quer ter, só quer poder. Quando o sujeito não tem, o que acontece? Ele rouba!", argumenta.

A coordenadora do Conselho Tutelar de Limeira, Aparecida de Campos, faz coro com a dona de casa. Ela discorda de algumas ações - como a diminuição da maioridade penal. Na opinião dela, são atitudes isoladas e que tanto esforço concentrado deveria ser gasto em investimento e suporte em projetos sociais de prevenção.

O vereador e deputado estadual eleito Otoniel de Lima (PL) tem uma opinião contrária. O parlamentar aprova a diminuição da maioridade penal e o cumprimento de 2/5 da pena para pedir alteração do regime. "Se essas leis forem colocadas em prática, será um avanço", citou. Na avaliação dele, a sociedade só perceberá o resultado das alterações na legislação a longo prazo.

É por isso que as aposentadas Maria Fernanda de Marten, Teresinha Fernandes Bolonhi e Antônia da Cruz Silva, do alto da experiência de vida de cada uma, alertam para a importância de se investir em educação para reverter esse cenário. "Precisam construir escolas. Esse é o caminho. O ambiente de violência acaba influenciando no comportamento desses jovens. Por isso, eles têm que estar na escola", reforçam.

Saída para violência é geração de empregos, apontam os jovens

Alisson Willian, de 16 anos; Dênis Bergamim, 17; e Mário Janjob, 19, trabalham como empacotadores em um supermercado. Os três sustentam pontos de vista diferentes sobre a eficiência dos projetos de lei lançados pelo Congresso. Contudo, concordam em uma coisa: é preciso oferecer mais empregos para os jovens para que eles possam se manter distantes do universo do crime. "Há muito moleque que não tem serviço. Para ter as coisas, ele passa a vender drogas. Às vezes, faz isso também para ajudar a família", opina Willian. Janjob alerta que o passaporte para a criminalidade dos jovens de classes média e alta é a sensação de impunidade. "Eles pensam que podem tudo. Acham que a família pode pagar a fiança e livrar a cara deles", fala, sobre as razões que levam adolescentes de classes média e alta também à criminalidade. É nesse contexto que Bergamim aposta em leis mais duras para que haja retração da violência. (PC)

Paulo Corrêa - Limeira