N. América deixa Limeira; 400 serão demitidos

O Grupo Nova América, proprietário da marca Açúcar União, confirmou o fechamento da unidade de Limeira a partir do dia 31 de março. A medida vai gerar 400 demissões diretas e outras 1.000 indiretas - isso de forma imediata. A notícia foi divulgada ontem pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Limeira, Artur Bueno de Camargo.

No domingo, Camargo se reuniu com os trabalhadores que receberam a confirmação do fechamento da unidade. O fato fez com que eles entrassem em estado de greve desde as 4h de ontem. "A empresa está 100% parada e permanecerá em greve até as 8h30 de amanhã (hoje), quando os trabalhadores terão a resposta da Nova América sobre as reivindicações pedidas", diz o sindicalista. Os empregados pleiteiam R$ 1,5 mil de participação nos lucros e resultados (PLR), benefícios e um ano de salário após o fechamento da unidade. Segundo Camargo, a empresa ofereceu convênio médico por mais três meses, após 31 de março.

Em e-mail enviado ao sindicato no dia 7 pelo gerente de Controladoria da Nova América, a empresa informa que a partir do dia 31, a Nova América deverá ter em Limeira somente um centro de distribuição. "Em 1992, a unidade de Limeira chegou a ter 4,5 mil funcionários", lembra Camargo. A empresa, que está instalada em Limeira há mais de 50 anos, foi uma das maiores empregadoras da cidade até o início da década de 90.

Conforme o sindicalista, entre os motivos alegados pela empresa para sair de Limeira estão o alto custo com mão-de-obra, impostos, energia elétrica e água. São questões que o sindicato e políticos tentaram negociar para manter a empresa em funcionamento em Limeira. Não houve sucesso. "A empresa recuou no momento em que percebeu estarmos próximos de uma solução", fala.

REFLEXO
De acordo com Camargo, sendo definitiva a saída da Nova América, a partir de agora, o sindicato vai mobilizar as autoridades para atrair para Limeira outra empresa que trabalhe com o refinamento de açúcar. "Hoje a empresa está a todo vapor, por isso iniciamos a greve, porque acreditamos que, neste momento, a empresa não tenha condições de suprir a produção. Sendo assim, o momento é propício para negociar", comenta.

O sindicalista frisa que os 400 trabalhadores desempregados vão causar um reflexo negativo para a economia do município.

Além das demissões, outra preocupação do sindicato é com a marca União, que está no mercado há 97 anos - dos quais 50 em Limeira.

Em nota, a Prefeitura de Limeira informou ontem que o prefeito Silvio Félix "tem feito contatos com empresas nacionais e internacionais que atuam no mesmo ramo da empresa que hoje ocupa o prédio da União". Ainda conforme a nota, "as empresas alvos de contato solicitaram sigilo até que as conversações sejam concluídas".

Entenda o caso do grupo que está saindo da cidade

Em junho de 2004, a União foi colocada à venda. Em 28 de fevereiro de 2005, a empresa Nova América adquiriu as máquinas e a marca União Coopersucar, vendendo o produto para a Nova América até dezembro daquele ano. Ainda em 2005, a Coopersucar demitiu todos os seus trabalhadores (500).
A Nova América alugou o prédio de Limeira e readmitiu 400 trabalhadores para trabalhar no refino do açúcar. Em 2006, a empresa informou que, por motivo de custo, ficaria em Limeira só até dezembro daquele ano.

Na tentativa de negociar a permanência da empresa em Limeira, o Sindicato da Alimentação iniciou um entendimento com órgãos públicos e com a Nova América. A empresa alegou que os custos em Tarumã (PR) eram mais acessíveis. "A prefeitura propôs que a empresa pagasse apenas 25% do IPTU e outros benefícios estavam sendo acordados com o Ministério de Minas e Energia e com Estado para a permanência da empresa", disse o sindicalista Artur Bueno de Camargo.

Antes da posse do governador José Serra (PSDB), Camargo encaminhou um projeto, em parceria com o Dieese, mostrando o impacto social com a saída da empresa de Limeira e alternativas para sua permanência. No dia 30 de janeiro, houve uma reunião em São Paulo com representantes sindicais e políticos para discutir o assunto com o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.
Logo em seguida, a Nova América confirmou que não tem interesse em continuar em Limeira. (JM)

Junia Mariano