O nível da água no temporal que atingiu Limeira na tarde de anteontem atingiu 1,50 metro no cruzamento das ruas Duque de Caxias e Barão de Campinas. A porta dos fundos do Mercado Modelo se transformou em uma comporta. O temor dos comerciantes era de que a estrutura de aço se rompesse a qualquer movimento. O que poderia provocar um estrago generalizado no mercado. O local também foi castigado pela chuva - situação recorrente.
Durante o dia de ontem, o movimento foi normal no "Mercadão". A dona da Quitanda Cardoso, Neusa Cardoso, diz que já está acostumada com o cenário. "Não perdi nenhum tomate. Ninguém perdeu nada. Nós varremos tudo e o movimento é o mesmo. Trabalho aqui no mercado desde quando ele foi fundado. Eu já me acostumei com isso", comentou.
Embora não tenha acontecido um incidente mais grave ou prejuízos financeiros no complexo comercial, o presidente da Associação Comercial do Mercado Modelo, Eduardo Hervatin, reconhece que é preciso fazer melhorias no local. "Estamos aguardando um projeto da prefeitura. Estamos tendo reuniões desde o ano passado com o prefeito. Ele pediu um prazo de 30 dias para apresentar um projeto para resolver esse problema. Algo tem de ser feito", argumentou. Segundo o presidente da associação, os comerciantes estão abertos a discutir propostas da prefeitura.
O prefeito Silvio Félix (PDT) pretende deslocar o "Mercadão" para o prédio que abrigava a Machina São Paulo. Segundo Félix, nesta região, os comerciantes teriam boxes maiores e estrutura mais adequada. O prefeito acredita que a única viabilidade para a área é a construção de um "Piscinão" - a obra teria a função de comportar o excesso de água e o tempo suficiente para escoar até o Ribeirão Tatu. A previsão orçamentária da obra é de R$ 4 milhões - orçamento maior do que a pasta de Cultura. Para viabilizar o projeto, porém, residências teriam de ser desapropriadas e as sedes da GM e do Comicin (Conselho Municipal do Interesse Negro) deslocadas da Barão de Campinas.
Paulo Corrêa - Limeira